segunda-feira, 14 de novembro de 2011

90 Anos sem a Princesa Isabel

Por Hermes Rodrigues Nery*

A Princesa Dona Isabel nos últimos anos de sua vida, Castelo d'Eu, França

“A liberdade verdadeira e desejável é a que, na ordem individual, não deixa o homem escravo nem dos erros, nem das paixões, que são os seus piores tiranos; e na ordem pública traça regras sábias aos cidadãos, facilita largamente o incremento do bem-estar e preserva do arbítrio de outrem a coisa pública. Essa liberdade honesta e digna do homem, a Igreja a aprova ao mais alto ponto, e, para garantir aos povos o firme e integral gozo dela, nunca cessou de lutar e de combater.” Papa Leão XIII, Encíclica “Immortale Dei – Sobre a Constituição Cristã dos Estados”, 1885.

Há 90 anos, em 14 de novembro de 1921, morreu a princesa Isabel, distante do Brasil que tanto amava, no mais penoso e longo exílio impingido a um governante brasileiro, numa página de dor em nossa história que ainda hoje comove aos que estudam com seriedade os documentos há tanto tempo esquecidos e evitados por aqueles que a detrataram e procuraram diminuir a importância de sua vida, de inequívocas virtudes heróicas e cívicas, que honrou o primeiro posto desta Nação. D. Isabel Cristina de Orléans e Bragança foi uma das que melhor compreenderam a alma do povo brasileiro, por isso foi tão querida no tempo em que governou, e não fraquejou em tomar decisões acertadas e corajosas, de feliz memória, dentre elas a que culminou no 13 de maio de 1888, com a abolição da escravatura em nosso País.


Destinada a dirigir os destinos da Nação (de personalidade forte e resoluta, mas humaníssima em sua compaixão pelos sofredores); preparou-se como nunca antes outra autoridade política havia cuidado com tanto zelo em corresponder aos desafios e as incumbências do governo. Ao contrário do avô e do pai, afetados por uma infância de tão grandes turbulências, a princesa Isabel teve ambiente propício para desenvolver seus talentos e assumir seu imperativo vocacional. Não apenas com dedicação aos estudos, mas ainda com percepção aguda dos problemas do seu tempo, desejando dar ao Brasil soluções sociais pautadas em princípios e valores humanos e cristãos.

A sua fé – catolicíssima – deu-lhe força para fazer com alegria tudo o que empreendia (como mãe e esposa exemplar, como filha e amiga leal, como governante mulher) e a confortou nas horas de amargura, que não foram poucas. Sofreu as angústias de ver o Brasil em guerra externa, com o risco de tornar-se viúva, ainda recém-casada, ou ter de ser forçada ao arranjo nupcial urdido pelo ditador paraguaio Solano Lopez.

Pesou-lhe tanto a pressão de grandes proprietários rurais, que resistiram e dificultaram a aprovação da libertação dos escravos, criando obstáculos no parlamento, ameaças e um temor infundado de desestabilização social. Foi preciso então agir com sabedoria, mas de modo perseverante, para ver bem sucedido o movimento abolicionista. Desde 1810 o Brasil comprometera-se em acabar com a escravidão, mas o processo político não foi fácil, porque era preciso preparar o País para tão significativa mudança. O movimento foi lento e gradual, exigiu mobilização e prudência, mas que poderia ser postergado ainda mais, não fosse a precisão decisória da princesa em seus períodos de regência, que tudo fez para que a vitória do abolicionismo fosse obtida pela via institucional, e sem derramamento de sangue. Com a Lei Áurea, a princesa Isabel visava não apenas assinar o fim da escravidão, mas preparar os meios concretos de indenização e suporte social para oferecer aos libertos condições de dignidade para o exercício da liberdade, com acesso a educação e o trabalho com justa remuneração. Atestam os historiadores a visão de estadista da princesa Isabel, que não viu acontecer por completo seu projeto de promoção social do povo brasileiro, especialmente os libertados pela Lei Áurea, porque tal relevante iniciativa foi solapada pelos republicanos positivistas, que temiam o 3º Reinado tendo à frente uma mulher de tão profundas convicções cristãs. Pois justamente o catolicismo da princesa Isabel (e sua atuação pública e pessoal coerente com a doutrina social e moral da Igreja) levou os republicanos a forçarem a quartelada de Deodoro e ao cruel banimento (exigindo que ela e sua família deixassem o País em 24 horas), exílio este que se prolongou por 32 anos, até a sua morte.

Em Paris, Dona Isabel acompanhando o vôo do 14 Bis

O fato é que, apesar do patrulhamento ideológico e a conspiração do silêncio por mais de um século, a princesa Isabel não está no inteiro esquecimento, pelo contrário, seu nome ressoa luminoso em nossa história. O nevoeiro ideológico que a vitimou ao pior dos ostracismos, parece agora começar a ser dissipado, especialmente quando a Arquidiocese do Rio de Janeiro recebeu oficialmente, no mês passado, o pedido para a abertura do seu processo de beatificação. Isso comprova que a Princesa Isabel haverá de perdurar como estrela fulgurante no coração dos brasileiros, ad eternum.

1921, Eu, funerais da Princesa Dona Isabel

* O Professor Hermes Rodrigues Nery é o responsável pelo pedido de Beatificação da Princesa Dona Isabel.

Em: http://diasimdiatambem.com/2011/11/11/90-anos-sem-a-princesa-isabel/
Imagens 1, 3 e 4: Arquivo pessoal de Dionatan da Silveira Cunha
Imagem 2: Brasil Escola

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