domingo, 18 de julho de 2010

Hoje na História: Sagração e Coroação de S.M.I. Dom Pedro II

Coroação de S.M.I., o Senhor Dom Pedro II, de Manoel de Araújo Porto-Alegre


Há 169 anos Sua Majestade Imperial, o Senhor Dom Pedro II, era Sagrado e Coroado Imperador do Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, quando então a multidão bradava:

"Queremos Pedro II
Embora não tenha idade!
A Nação dispensa a lei
E viva a Maioridade!"

Em 20 de julho de 1841, o Jornal do Commercio, em noticia, divulga minúcias das cerimônias:   

“Às 11 horas da manhã do dia 18 de Julho S. M. I. determinou que seguisse o Cortejo para a Capela Imperial, na forma do programa n.º 2. O Corpo Diplomático aguardava a passagem e chegada de S. M. I. no passadiço, que comunica o Palácio com a Capela Imperial. Um quarto de hora depois chegou S. M., tendo ao lado esquerdo suas Augustas Irmãs, e recebido o cortejo do Corpo Diplomático, ao qual S. M. se dignou corresponder com a maior afabilidade, despediu-se delas, e esperou de capacete na mão que passassem todas as senhoras, que formavam o cortejo de SS. AA. A este tempo já tinha aparecido na varanda o manto do Fundador do Império e a espada Imperial do Ipiranga, e já as tropas estavam em continência tocando o hino da independência, cujas recordações tornavam o ato mais solene. Apenas S.M.I. apareceu na varanda, foi saudado por um viva entusiástico de topo o povo que se achava na praça, ao qual S. M. se dignou corresponder; e assim foi saudado até entrar na Capela Imperial.

S. M. foi recebido à porta da Igreja pelo Exm.º Bispo Capelão-Mor e Cabido, e descoberto recebeu a aspersão do mesmo Bispo, e, pondo depois na cabeça o capacete de cavaleiro, dirigiu-se à Capela do Sacramento onde, tirando-o, fez oração, e repondo-o dirigiu-se aos cancelos, onde foi recebido por uma deputação de seis Bispos, com seus assistentes, mandada pelo Exm.º Arcebispo Metropolitano, que em faldistório o esperava no presbitério.

S. M., saudando esta deputação, tirou o capacete, saudou SS. AA. Irmãs que já se achavam na tribuna, a cruz e o sagrante; subiu ao Trono, onde se sentou. Revestidos os seis Bispos, vieram em deputação buscar S. M., que subiu ao presbitério, levando à direita o Condestável, à deste o Mordomo-Mor, à deste o Reposteiro-Mor, e à deste o Mestre de Cerimônias da Corte, e à esquerda o Camarista-mor, à deste o Camarista de semana, à deste o Capitão da guarda, e à deste o Mestre de Cerimônia do Sólio. Aproximando-se S. M. ao sagrante, tirou o capacete, fez uma reverência. e o Exm.º Ministro da Fazenda o recebeu em uma rica salva, que tinha levado a coroa, e o fez colocar na credência.

Sentado o Imperador em uma rica cadeira fronteira ao sagrante, a qual foi ministrada pelo Reposteiro-Mor, que a recebeu do Guarda-tapeçarias, ouviu o discurso do mesmo celebrante, e levantando-se, ajoelhou em uma almofada ministrada pelo Reposteiro-Mor, e o Exm.º Ministro da Justiça leu a protestação de fé. Tendo o Exm.º celebrante o missal aberto no seu regaço, S. M. I. pôs ambas as mãos sobre ele e disse: - Sie me Deus adjuvet, et haec sancta Dei evangelia. - E fechando o missal, beijou a mão do celebrante. Levantando-se S. M. ajoelhou segunda vez, o ouviu a oração do celebrante, finda a qual levantando-se foi ajoelhar ao lado do Evangelho, prostrando-se sobre o genuflexório em duas almofadas, uma para os joelhos e outra para encostar a cabeça, e ouviu as ladainhas, versos e duas orações.

Findo este ato, S. M. levantou-se, aeio para diante do celebrante, e despiu os Colares do Tosão de Ouro, da Torre e Espada, e de Santo André da Rússia, que foram recebidos pelo Exm.º Visconde de S. Leopoldo; entregou a espada de cavaleiro ao Exm.º Ministro da Guerra, e o Camareiro-Mor tirou-lhe o manto de cavaleiro e as luvas, entregando o primeiro ao Exm.º Visconde de Baependi, e a segunda ao Exm.º Conde de Valenna. Depostas estas insígnias, foi S. M. I. ungido no pulso do braço direito, e esta unção foi purificada pelo Exm.º Bispo de Crisópolis com globos de algodão e micapanis ministrados por um moço fidalgo. S. M. I. inclinou-se depois sobre o regaço do celebrante, e foi ungido nas espáduas por uma abertura praticada na veste imperial, e depois de purificada a unção pelo mesmo Exm.º Bispo, o Exm.º Camareiro-Mor fechou novamente a veste por meio de colhetes para isto destinados.

Terminadas as unções, o Mestre de Cerimônias do sólio, conduzindo o Diácono ao altar, entregou-lhe o manto imperial, este o deu ao celebrante, que o vestiu a S. M. I., ajudado pelo Camareiro-Mor. O mesmo Mestre de Cerimônias entregou ao Diácono a murça, este a ofereceu ao celebrante, que revestiu S. M. com ela. Feito isto, S. M. I. subiu ao Trono, acompanhado pelos quatro Bispos mais antigos, e por toda a sua comitiva.

Seguiu-se a Missa até o último verso do gradual exclusive, e então S. M. I., tendo sido avisado pelo Mestre de Cerimônias da Corte, dirigiu-se ao altar, acompanhado das pessoas acima mencionadas, e dos quatro Bispos e assistentes para receber as insígnias imperiais. Chegado defronte do celebrante, e feitas as vênias do costume, ajoelhou em uma almofada ministrada pelo Reposteiro-Mor. O Diácono foi então ao altar, trouxe a espada embainhada, e chegando ao pé do celebrante, desembainhou-a, e dando a bainha ao Ministro da Guerra, que foi chamado para esse ministério, ofereceu a mesma espada pela extremidade da folha ao Exm.º celebrante, o qual tomando-a pela mesma extremidade, ofereceu-a a S. M. pelos copos, dizendo a oração - accipe gladium etc.

Acabada a oração, o Exm.º celebrante recebeu outra vez, a espada da mão de S. M. I., e entregou-a ao Diácono; este deu-a ao Ministro da Guerra que a meteu na bainha, e tornando a oferecê-la ao Diácono, este apresentou-a de novo ao celebrante, que a meteu no cinturão de S. M., dizendo as palavras - Accingere gladium etc. - Finda esta cerimônia, S. M. I. levantouse, e desembanhando a espada, fez com ela alguns movimentos ou vibrações, e correndo-a pelo braço esquerdo como quem a limpava, meteu-a na bainha, e tornou a ajoelhar.

O Exm.º celebrante levantando-se foi ao altar buscar a Coroa Imperial, e chegando defronte de S. M., lha ofereceu; S. M. pós a Coroa na cabeça, e tanto o Arcebispo celebrante como os Bispos, pondo a mão direita sobre ela disseram ao mesmo tempo as palavras - Accipe coronam imperii etc. Depois disto o Diácono foi ao altar buscar o anel e as luvas cândidas na mesma salva em que estavam, e ofereceu estas insígnias ao Exm.º celebrante, o qual calçou as luvas em ambas as mãos a S. M., e lhe meteu o anel no dedo anular da mão direita. O mesmo Diácono voltou ao altar a buscar o globo Imperial, e ofereceu-o ao celebrante, e este o ofereceu a S. M., que o entregou ao Exm.º Ministro dos Negócios Estrangeiros. O Diácono foi novamente ao altar buscar a mão da justiça, e a entregou ao celebrante; este a ofereceu a S. M., que a entregou ao Exm.º Ministro da Justiça. Finalmente o Diácono foi ao altar, e trazendo o cetro, ofereceu-o ao celebrante: este o apresentou a S. M. na mão direita, dizendo as palavras: Accipe virgam virtutis.

Acabada esta cerimônia, levantou-se S. M., e acompanhado pelo Exm.º Celebrante à direita, pelo Exm.º Bispo Capelão-Mor à esquerda, e pelos mais Bispos assistentes no altar e mais comitivas, subiu ao Trono, sentou-se, e o celebrante disse as palavras. - Sta. etc.

S.M.I. conservou-se sentado em todo o tempo do Te Deum, versos e duas orações cantadas pelo Exm.º Arcebispo, que ficou em pé à sua direita e descoberto, e em seguimento deles os ministros do altar. No primeiro degrau do Trono, junto ao Capitão da guarda, estava o Exm.º Ministro da Justiça com a sua insígnia; adiante o Exm.º Ministro dos Estrangeiros com o globo; o Condestável no seu lugar, assim como toda a mais comitiva.

Findo o Te Deum e as orações, seguiu-se a Missa, assistindo S.M.I. ao Evangelho, sem coroa, e beijou-o no fim no livro apresentado pelo Exm.º Bispo Capelão-Mor.

Acabado o ofertório, S.M.I., seguido pelas pessoas que já referimos, dos quatro Bispos mais antigos, do Bispo Esmoler-Mor e do Copeiro-Menor, sustentando na mão esquerda os dois pães em uma salva, e na direita o círio acesa, subiu ao altar, e ajoelhando em uma almofada ministrada pelo Reposteiro-Mor, recebeu das mãos do Bispo Esmoler-Mor, e ofereceu ao celebrante o pão de prata, o de ouro, e o círio aceso, no qual estavam encrustadas treze peças de 10$ rs. em ouro. Isto feito, S.M.I. retirou-se ao Trono com as vênias do costume. Continuou a Missa, sendo S.M.I. incensado de cetro e coroa pelo Exm.º Bispo Capelão-Mor. S.M.I. esteve sem coroa desde o Sanctus até ao Communio, exclusive, recebendo unicamente a paz por amplexo ao Exm.º Bispo Capelão-Mor. S.M.I. esteve igualmente sem coroa enquanto se recitaram as orações e evangelho do fim da Missa.

Acabada a bênção, o Exm.º Bispo Capelão-Mor concedeu duzentos e quarenta dias de indulgências aos assistentes, que foram publicadas pelo Cônego Mestre de Cerimônias do Sólio.

Acabada a Missa, S. M. I. sentou-se sem coroa para ouvir o sermão, que foi pregado pelo Reverendíssimo D. Abade Geral dos Bentos, que tomou por tema Sadoc sacerdos ... unxit Salomonem... Salomon autem sedit super thronum patris sui, et firmatum est regnum ejus nimis. O Pontífice Sadoc sagrou a Salomão; este tomou posse do trono de seu pai, e seu reino se firmou em sólidas bases.

Findo o sermão, o Mestre de Cerimônia da Corte, tendo recebido as ordens de S. M., mandou desfilar o cortejo para a varanda, o qual partiu na ordem seguinte:

A Câmara Municipal e os Juizes de Paz, que se colocaram no pavilhão do Prata; os indivíduos que vieram em deputações assistir ao ato da Sagração; os membros dos tribunais da Corte; os titulares; os membros da Assembléia Geral Legislativa; a Corte, tendo em frente o Rei de Armas, Arauto e Passavante; os Porteiros da maça e da cana; os moços da câmara; o Porteiro da Imperial Câmara; os Oficiais da Câmara em exercício; os moços fidalgos; os Grandes do Império, e os que de Grandeza têm as honras, indo em alas a estes os porta-insígnias. Logo que o Mestre de Cerimônias da Corte avisou a S.M.I. que o cortejo tinha desfilado, desfilou o Cabido com as duas cruzes, a arquiepiscopal e a catedrática, assim como os Bispos e Arcebispo. Feita a oração ao SS. Sacramento, S.M.I., de coroa e cetro, debaixo do pálio, tendo à direita o condestável, à deste o Exm.º Ministro da Justiça com a mão alçada, e ÈL deste o Exm.º Ministro dos Negócios Estrangeiros com o globo imperial, em frente o Alferes-Mor e o Mestre-de-Cerimônias, e depois o Camareiro-Mor pegando na cauda do manto, o Capitão da guarda, o Camarista de semana, o Reposteiro-Mor, desceu até a porta principal da igreja, e, ao sair do adro, foi saudado por entusiásticos vivas da Imensa população, que, ávida, aguardava a vista do seu Monarca, e S.M.I. graciosamente agradeceu esta primeira saudação.

Subiu S. M. ao pavilhão do Prata, onde os Grandes do Império largaram o pálio aos moços da câmara, que ali lho tinham entregue., e estes aos porteiros que estavam no mesmo pavilhão. S.M. dirigiu-se à sala do Trono da varanda, e em círculo formado pela Representação Nacional, pelo Cabido, Grandes do Império, Grandes Dignitários da Corte, Câmara Municipal, Tribunais, e Oficiais-Mores da Casa, subiu ao Trono, acompanhando pelo Exm.º Arcebispo Sagrante, fazendo uma reverência a SS. AA. II., que estavam com todas as Damas na sua respectiva tribuna, e outra ao Corpo Diplomático, que já se achava na tribuna fronteira, e recebendo a mão da justiça do Exm.º Ministro respectivo, com ela na esquerda, e com o cetro na direita, foi saudado pelo Cabido, indo dois a dois até o primeiro degrau do Trono fazer sua profunda reverência, dizendo - Per multos annos. - Feito Isto por todos, e pelos Exmos. Bispos e Reverendíssimo Sagrante, desfilou o Cabido pelo pavilhão do Prata. Imediatamente S. M. I., descendo do Trono, velo apresentar-se ao seu fiel povo pela maneira seguinte:

O Condestável tomava a direita do Imperador, à daquele o Exm.º Ministro do Império com a Constituição na mão, à deste o Exm.º Ministro dos Negócios Estrangeiros com o globo Imperial, à deste o Exm.º Mordomo-Mor, e à esquerda de Sua Majestade o Alferes-Mor, os Exm.08 Ministros da Justiça, da Fazenda e da Guarda. Assim em linha marchou Sua Majestade até em frente às colunas do grande templo da varanda, e no centro da Representação Nacional, e de todos os que levamos referidos, mandou ao Mestre-de-Cerimônias da Corte que fizesse funcionar o Rei de Armas, o qual estava em um degrau próprio, dentro de um maciço formado por uma seção da guarda de Arqueiros, porteiros da cana e da maça, e moços da câmara, o pelos charameleiros imperiais. Então o Rei de Armas, alçando a mão direita, na qual tinha um rico chapéu de plumas, disse em alta voz: - Ouvide, ouvide, estai atentos! - A este tempo o Exm.º Alferes-Mor saindo da linha avançou em frente ao peristilo do templo, o desenrolando a bandeira disse:

Está sagrado o muito alto e muito poderoso Príncipe o Senhor D. Pedro II por graça de Deus, e unânime aclamação dos povos. Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil. - Viva o Imperador!

O Alferes-Mor não pôde repetir três vezes, como lhe cumpria, os vivas a S.M.I., porque os do Imenso concurso do povo lhe não deram lugar, nem a emoção que todos possuíam poderia deixar de tocar também o Alferes-Mor. Então S.M.I. determinou ao Mestre-de-Cerimônias que dissesse ao General que mandasse começar as descargas, e a lato não ter sido assim, o entusiasmo do imenso concurso do povo, que era tanto quanto na praça, cabia, não dava lugar a esperar-se ocasião.

S.M.I. não pôde assistir senão a 1.ª descarga, porque o sol, que estava bastante forte, lho não permitiu, ainda que o Exm.º Alferes-Mor, com a bandeira, o garantia de seus raios. O Imperador, fazendo três reverências ao seu povo, uma à direita, outra ao centro, e outra à esquerda, retirou-se ao Trono entre vivas e aclamações, e subindo a este sentou-se, colocou a coroa em um bufete que estava ao lado da cadeira imperial, e sentado recebeu o cortejo de todos aqueles cidadãos, que estavam no pavilhão do Amazonas, findo o qual contramarcharam a fazer-lho os que estavam no pavilhão do Prata, e o dos Representantes da Nação. Logo que todos os que estavam no salão cumpriram este dever, S.M.I. ordenou que desfilasse a Corte, e, descendo do Trono, saudou a suas Augustas Irmãs, que estavam na tribuna, e ao Corpo Diplomático, que se achava na outra fronteira, e retirou-se à sala do Trono do Palácio, encontrando-se no passadiço com SS. AA. Irmãs, e com elas incorporado, recebeu ali as Senhoras de distinção, a quem as Janelas do Paço foram oferecidas para verem a aclamação do seu Monarca.

É impossível descrever a beleza, que apresentavam estas janelas ornadas todas de damas ricamente vestidas, que a porfia se disputavam a preferência do entusiasmo.

Concluída a felicitação das damas, S.M.I. se dirigiu ao seu aposento pela galeria maior do Paço, e ordenou que o banquete fosse servido às 6 horas. Um Imenso concurso de pessoas distintas assistiu ao banquete de S.M.I., que foi servido segundo o programa (A). Duas ricas bandas de música tocaram durante este festim.

Retirado o Imperador aos seus aposentos, serviu-se uma mesa de noventa e seis talheres a todos os funcionários da Corte. As 8 horas da noite, franqueou-se a varanda e o Paço para serem visitados pelas pessoas decentemente vestidas, que se apresentassem com este intuito.

Supõe-se que de doze a quinze mil pessoas os visitaram. As 10 horas da noite anunciou-se que acabava a visita, e o bom povo que não tinha podido entrar paciente esperou o dia seguinte. Se o concurso for tanto como na primeira noite, os cinco dias destinados para tais visitas serão poucos para satisfazer a avidez e curiosidade pública. Tanto a mesa do banquete como a credência das insígnias têm estado expostas no novo salão que tem de servir para o Trono.

COROA CÍVICA QUE A GUARDA NACIONAL DO RIO DE JANEIRO OFERECEU AO SENHOR D. PEDRO II NO DIA 19 DE JULHO, IMEDIATO AO DA SUA COROAÇÃO 

Ontem, 10 de julho, S.M.I. recebeu, na sala em que estão as insígnias Imperiais, perante toda a Corte, o Comandante Superior da Guarda Nacional, acompanhado dos Comandantes de Legião e dos Corpos que tiveram a honra de lhe apresentar a Coroa Cívica, que S.M. se tinha dignado aceitar; e a um discurso recitado pelo Comandante Superior, S.M. respondeu que agradecia muito o testemunho de fidelidade que lhe dava a Guarda Nacional do Município da Corte. A Coroa foi colocada, por ordem de S.M., entre as Insígnias Imperiais.

Passando S.M. meia hora depois à sala do Trono, recebeu as felicitações do Senado, da Câmara dos Deputados, do Corpo Diplomático, das Assembléias Legislativas Provinciais, dos Presidentes de Províncias das Academias e Sociedades Científicas, das Câmaras Municipais, dos Cabidos, Ordens Religiosas e outras sociedades, e depois todos os cidadãos que concorreram ao Paço, cujo número excedeu a seiscentos. Retirou-se a seus aposentos às 4 horas da tarde, e às 7:30 h honrou com sua presença o Teatro de S. Pedro de Alcântara.

DESCRIÇÃO DA COROA CÍVICA

A Coroa Cívica, que a Guarda Nacional da Corte ofereceu a S.M. o Imperador, o cuja prontificação foi confiada aos Srs. J.J.P. de Faro Filho, Manoel Antônio Airoza, João Batista Lopes e J.P. Darrigue Faro, compõem-se de dois ramos de carvalho, feitos de ouro, com os seus competentes frutos, a que dão o nome de landes. Estes ramas são presos por uma fita de brilhantes em forma de um perfeito laço; esta fita é rendada com diferentes flores no centro, formando-lhes debrum recortado, limitando a folha da salsa. No centro do laço tremula um fiarão. Todo este trabalho é transparente, feito de brilhantes cravados a filete, com grampas nos lugares competentes. As duas pontas das fitas trabalham sobre dois cilindros de ouro, por onde passam duas molas que lhes imprimem o movimento logo que sofre o mais pequeno abalo. A fita prende os dois ramos que unidos formam a coroa, brotando de cada um deles quatro ramos mais pequenos de quatro folhas. Do tronco rebentam seis hastes com três folhinhas lavradas de cada uma das quais pendem três frutos com seus cazulos de brilhantes, abertos transparentemente. Esta peça tem de ouro de lei 1 marco 28 oitavas, e contém de brilhantes de diferentes tamanhos 114 quilates.

Está posta em uma caixa de feitio oitavado, forrada por dentro de veludo carmesim, com as armas do Império gravadas no centro, e por fora forrada de marroquim verde, com diferentes lavrados de ouro, contendo no centro o seguinte letreiro em letras douradas: A S.M.I. o Senhor D. Pedro II oferece a Guarda Nacional do Município da Corte, 18 de julho de 1841.

A Coroa é feita pelo artista Fortunato Rodrigues da Silva, Guarda Nacional, e a caixa é obra de M. Duplanil.   

DESCRIÇÃO DA VARANDA DO PAÇO, QUE SERVIU PARA O MAJESTOSO ATO DA COROAÇÃO DO SENHOR D. PEDRO II

A varanda Imperial, que o Governo mandou construir para a coroação do Sr. D. Pedro II, ocupa uma superfície de quase quatorze mil palmos quadrados.

Este monumento provisório difere em tudo daquele que foi construído no Rio de Janeiro para a coroação del'Rei D. João VI em 1818; quádrupla mão-de-obra, tríplice riqueza, brevidade na execução, e a quarta parte do custo, sem a potente mão de um governo absoluto, provam que a civilização no Brasil tem feito grandes progressos.

O diretor, arquiteto e pintor da obra foi o Sr. Araújo Porto Alegre; o mestre carpinteiro, o falecido Serafim dos Anjos, cuja inteligência, probidade e atividade lhe granjearam a afeição do Exm.º Mordomo do Paço, de quem recebeu as maiores provas de estima e consideração.

Esta grande obra foi executada no espaço de sete meses, e principiaremos a descrevê-la pelo seu externo antes de passarmos ao Interior.

Do adro da Capela Imperial ao passadiço se estende a varanda, tendo de extensão trezentos e dez palmos; uma escada de quarenta e dois palmos, ornada de quatro soberbos leões, dá ingresso ao pavilhão do Amazonas; mas o que fere mais a vista é o templo do centro, cujo peristilo é de seis colunas coríntias de trinta palmos de altura, bem digno de ser imitado nos monumentos públicos desta Capital.

O templo, desde a base até a cabeça do gênio do Brasil tem noventa e seis palmos de alto. Uma escada de cinqüenta palmos de largo desce do peristilo à praça; no alto tem um corpo saliente semicircular onde aparece S.M.I., e na base tem duas estátuas colossais representando a Justiça e a sabedoria, atributos do trono.

O fastígio do templo tem um baixo-relevo representando as Armas Imperiais, e no friso a seguinte inscrição: - Deus protege o Imperador e o Brasil. - o ático é coroado por uma quadriga, em cujo carro triunfante está o Gênio do Brasil, tendo ria mão esquerda as rédeas dos ginetes, e na direita o cetro Imperial.

Da parte do Norte, e num gradim inferior, está a estátua do rio Amazonas, sentada, com os atributos que lhe são próprios, assim como na esquerda a do rio da Prata.

As estátuas, os rios e os capitéis coríntios são de uma rara perfeição o de um ultra-acabado, que atestam o talento e a presteza do Sr. Marcos Ferrez.

As galerias laterais que se ligam aos pavilhões são da ordem dórica: nota-se nelas a perfeição das bases e capitéis, e a fineza de contornos no entablamento.

O ático que as coroas, decorado de ornatos de bronze e de palmetas nas pilastras, é acabado por um renque de trípodas, onde a mão-de-obra ainda brilha pelo acabado dos ornatos e das pinhas que fazem o pingete do globo que serve de perfumador.

Grandes baixos-relevos servem de friso a um intercolúnio dórico grego, que, indo de nível ao grande soco do templo, produzem um efeito admirável: estes baixos-relevos representam troféus de armas antigas, e o que há de mais notável, além da composição variada e fidelidade do caráter, é a perfeita ilusão que causam, vistos à certa distância; honra seja dada ao Sr. Professor José dos Reis Carvalho, e honra a M. Debret, que deu ao Brasil um artista tão distinto.

Os pavilhões, tanto o do Prata como o do Amazonas, fazem uma continuação da ordem das galerias; o arco de vinte um palmos, que abrange o Intervalo das quatro colunas dóricas; é preenchido por um arabesco realçado de prata, de uma ilusão perfeita; estes pavilhões são coroados por duas bigas, em cujo carro triunfal estão duas vitórias na atitude de voar, com duas coroas na mão.

Riquíssimas lâmpadas de bronze com globos baços pendem do centro do intercolúnio, formando harmonia com finíssimos festões de flores, atados por bandeletas, obra de Mme. Finot.

O aspecto geral do monumento, chamado varanda, parece simples pela razão de sua extensão; a multiplicidade de ornatos no exterior dos edifícios é nociva quando sua distribuição não é calculada na razão harmônica das grandes massas; é preciso, segundo as regras dos mestres, que o olho abranja de um só golpe o aspecto geral, e não seja entrecortado pela chamada de pequenos datalhes.

O Brasil é a primeira vez que vê uma quadriga executada em relevo e em ponto colossal; a reunião do templo e do triunfo é própria para estas solenidades, e atesta a majestade do alto destino para que fora edificada semelhante obra.

Para descrevermos o interior é necessário começarmos pelo pavilhão do Amazonas, que é o destinado para a entrada do público.

O teto do pavilhão é ornado de flores e arabescos, e dele pendem cinco lustres. sendo o do centro de uma dimensão soberba; em grandes letras se lê o pomposo nome do rei dos rios sobre um fundo verde, e no friso da colunata interna estão gravados os nomes de todas as cidades principais do Norte, assim como dos rios principais. As cidades são designadas por uma coroa mural por cima do nome, e os rios por duas pás no mesmo lugar; as cidades capitais da província têm por cima da coroa mural uma estrela; e o Rio de Janeiro, que está no pavilhão do Prata, distingue-se de todas as outras por três estrelas de ouro, como a maior, a mais bela e a Capital do Império.

Rios. - Amazonas, Madeira, Tocantins, Xingu, S. Francisco, Araguai, Tapajós e o Negro.

Cidades. - Recife, Olinda, Sergipe, Bahia, Cachoeira, Cuiabá, Vitória, Belém, S. Luiz, Oeiras, Ceará, Maceió, Natal e Paraíba.

As paredes do pavilhão estão adornadas de silvados pintados, e o fundoé é forrado de nobreza cor-de-rosa, com grandes listões de alto a baixo, brancos, que produzem um efeito agradável à vista.

A galeria que se segue, e dá ingresso ao grande templo, tem de notável além da variedade de cores do teto, duas cousas: a 1.ª é o nome dos ilustres mortos que foram úteis e fizeram serviços reais à civilização do Brasil; ali se acham os nomes de muitas ilustrações brasileiras que iremos numerando, notando de passagem os documentos que as tornaram dignas de aparecerem neste lugar no dia o mais solene do Brasil.

Fr. S. Carlos, poeta e orador distinto, autor do poema da Assunção da Virgem; Caldas, orador e lírico ilustre; Fr. Gaspar da Madre de Deus, historiador; Rocha Pita, conhecido de todos os que se ocupam da história pátria; José Bonifácio de Andrada e Silva, cujo nome basta; Prudêncio do Amaral, conhecido dos literatos; o Capitão-Mor Clemente Pereira, célebre na guerra contra os Emboabas; o famoso Rodovaldo, Bispo de Angola; o Bispo Desterro, criador de monumentos; Paraguassu, a Princesa do Brasil, e seu marido Caramuru; Valentim, o arquiteto da igreja da Cruz, de S. Francisco de Paula, do antigo Passeio, do Parto, e de quase todos os maiores monumentos da cidade; o Conde de Linhares, cuja nobreza é a fundação da escola militar, e os bens que fez ao Brasil; J. Manço Pereira, o primeiro que fez porcelana no Brasil; e a quem seus trabalhos químicos celebrizaram; Estácio Gulart e Mello Franco, célebres médicos; A. P. da Silva Pontes, o que marcou os limites do Brasil com trabalhos indizíveis; Fr. Leandro, botânico célebre e fundador do pitoresco e ameno jardim da Lagoa; Alvarenga, poeta; José Leandro, pintor distinto, autor do quadro da Capela Imperial; Manoel da Cunha, que pintou o descimento da cruz da sacristia da Capela, e o retrato do Conde de Bobadella que está na Câmara; o Conde de Bobadella, que toda a cidade venera, porque bebe todos os dias os seus benefícios, as águas que correm pelos aquedutos da Carioca; os apóstolos Nóbrega e Anchieta; o célebre mestre Marcos Portugal; Antonio Joaquim Velasques, pintor baiano, célebre pela sua valentia e imaginação; Leandro Joaquim, cujos quadros ornam o Parto e muitas outras igrejas desta cidade e província; J. M. de Noronha, conhecido pelos literatos; Araribóia, Tibiriçá, tão conhecidos como J. Basílio da Gama e o seu Poema do Uruguai; Antônio José da Silva, que, além de suas engraçadas comédias que dominaram mais de cinqüenta anos Portugal e o Brasil, se tornou mais interessante pela tragédia do seu ilustre compatriota o Sr. Dr. Magalhães; Mem de Sá, o fundador do Rio de Janeiro; João Fernandes Vieira, o Castrioto lusitano, o restaurador de Pernambuco; J. Pereira Ramos, o reformador dos códigos portugueses e Secretário do Marquês de Pombal.

Depois de recordações tão gratas, excitadas por homens tão ilustres; depois de se atravessarem duas galerias semeadas de lustres, lâmpadas e globos, de pinturas, sedas, tapetes e ouro, uma sensação insólita se apodera quando se entra na majestosa sala do Trono, alta de cinqüenta e sete palmos e larga de sessenta e quatro.

A primeira coisa que fere a vista nesta vasta sala régia é o aspecto grandioso, que dá uma só ordem de colunas coríntias; a mesma dimensão, o mesmo acabado, o mesmo estrilado do peristilo aqui se observa.

O Trono Imperial é o primeiro que o Brasil vê com tanta majestade, riqueza e elegância; esta peça, que custou quase vinte e cinco contos de réis, é verdadeiramente digna do alto emprego a que é destinada; parece prognosticar grandeza e riqueza para o Império do Brasil.

Tem de altura quarenta e dois palmos; sete degraus forrados de veludo dão acesso ao Trono por uma tela de ouro fino orlada de uma larga franja. A forma da cadeira é suntuosa, tudo é ouro, e no meio de tanto esplendor brilham nos braços da cadeira duas esferas de marfim cintadas por duas zonas de ouro esmaltadas de azul e semeadas de estrelas.

A franja, que custou quase onze contos de réis, é uma obra de finíssimo lavor, e o manto de veludo verde está orlado de um largo galão de ouro e todo semeado de estrelas; o forro é de lhama de ouro fino, e o fundo da cúpula de um gosto raro, pela harmonia do cetim azul com uma estrela no centro, arraiada de canotões entrançados de verde e ouro.

A cúpula arremata com a forma esférica, forrada de cetim azul, semeada de estrelas: representa uma esfera armilar coroada pela cruz. As plumas e os ornatos, que circulam a base, fazem uma harmonia perfeita.

Dos lados do Trono e das credências estão dois leões alados, símbolo de força e de inteligência, sustentando um candelabro que arremata na parte superior com uma coroa de louro, sobre a qual pousa um dragão alado, timbre da ilustre casa de Bragança; nestas coroas se ligam, por magníficas bordas, as abas do manto, deixando cair para os lados em amplas pregas a rica franja, e deixando ver a riqueza interna.

O Sr. Leger compreendeu otimamente o risco do Sr. Porto Alegre.

No arco que acoberta o Trono está à direita um medalhão representando o perfil do Imperador D. Pedro I, e à esquerda o do Imperador D. João VI.

Sobre o fundo do mesmo arco vê-se um Gênio, conduzido por uma águia, símbolo da realeza, descendo com um ramo de palma em uma mão e uma coroa na outra, e olhando para o Imperador.

No lado fronteiro ao Trono, o espaço compreendido pelo arqueamento do teto e pela cimalha interior é ocupado por um quadro de sessenta palmos de comprido, o qual representa alegoricamente os faustíssimos resultados da ascensão do Monarca ao Trono, e a glória do seu reinado.

Os quadros laterais por cima das galerias representam os dois maiores fatos da Independência do Brasil. O quadro da galeria do Amazonas representa o grito de - Independência ou Morte - no Ipiranga; é composto pelo Sr. Porto Alegre e executado pelo Sr. Reis Carvalho e Motta. O outro, que representa o dia 9 de Janeiro é todo do pincel do Sr. Porto Alegre.

Passando à galeria do Prata, nela se renova a sensação que tivemos na do Amazonas pela continuação da leitura de mais outras notabilidades do país. Ali se encontram:

Pedro Álvares Cabral, o descobridor do Brasil; o guerreiro e político fluminense Salvador Correia de Sá; B.L. de Gusmão, o inventor dos balões aerostáticos, e seu grande irmão Alexandre de Gusmão, ambos ilustrados pela sábia pena do Exm.º Visconde de S. Leopoldo; Amador Bueno, que recusou a Coroa do Brasil; o mavioso lírico Gonzaga; Hipólito, o escritor do Correio Braziliense, e irmão de uma nossa notabilidade científica; Antônio José de Morais, o mestre da língua portuguesa; o Índio Maneco, e seu colega Abreu, ambos o terror de Artigas; o General Câmara; o famoso Visconde de Cairu, e seu ilustre irmão Baltazar da Silva Lisboa; Monsenhor Pizarro, que tanto ilustrou a história da Pátria; o General Curado; Rafael Pinto Bandeira, cujos prodígios o fizeram passar por ter pacto com o diabo; Camarão; o autor do Caramuru, Santa Rita Durão; Padre Ângelo; Paes Leme, o descobridor de Minas; M.A. de Sousa; José de Oliveira, o maior dos pintores brasileiros, autor do teto da igreja de S. Francisco; D. Marcos Teixeira; Almeida Serra, companheiro de Silva Pontes, assim como Lacerda; Calderon, e o insigne e melancólico José Maurício; Azeredo Coutinho, o Conde Bispo de Coimbra; o fecundo orador Sampaio, e o Padre Antônio Vieira; Cláudio Manoel da Costa, esse infeliz gênio, companheiro de infortúnio de Gonzaga e outros.

O pavilhão do Prata se assemelha ao do Amazonas, exceto no teto e nas cores das paredes: nota-se nele uma grinalda de flores da mão do Sr. Carvalho, que o coloca no número dos bons floristas.

No friso se acham gravados os nomes dos rios e cidades principais do Sul com os mesmos atributos que notamos no pavilhão do Amazonas.

Rios: - Tietê, Paraíba, Paranapanema, Guaíba, Paraná, Doce, S. Francisco, Negro.

Cidades: - Rio Pardo, Rio de Janeiro, S. Paulo, Pelotas, Desterro, Barbacena, Mariana, Campos, Cabo Frio, Porto Alegre, Angra, Ouro Preto.

Na pequena galeria que dá ingresso à varanda do passadiço, e que une a este o pavilhão do Prata, lê-se no meio do friso, em letras de outro, esta sublime inscrição - Deus salve o Imperador -, e dos lados ainda se encontram oito nomes bem ilustres e bem caros ao Brasil!

O Conde da Barca, o Marquês do Lavradio, João Pereira Ramos, o Desembargador Mosqueira a quem o Brasil deve a sua elevação à categoria de reino: Canto, o conquistador das Missões: o Marquês de Aguiar, que abriu os portos aos estrangeiros, o introdutor da pimenta da Índia e mais plantas exóticas no Brasil; e, finalmente, Luiz de Vasconcelos, cujo nome basta para uma recordação saudosa.

Quarenta e três lustres, duzentas arandelas, vinte e cinco lâmpadas e uma infinidade de globos pendem do teto desta vasta galeria: ricas alcatifas se estendem por toda a sua superfície até às escadas, com uma observação particular, que a estrada do Imperador, do Trono ao peristilo, é marcada sobre a alcatifa por uma finíssima tela de prata, orlada de galão de esteira de ouro.

O Governo Imperial comprou tudo, e a despesa do edifício não monta a cem contos de réis.

Transcrevendo a descrição deste magnífico monumento, não podemos deixar de tributar os maiores elogios ao distinto artista brasileiro o Sr. Manoel de Araújo Porto Alegre, pintor da Câmara, diretor arquiteto e pintor deste suntuoso edifício.

Todas as pinturas são compostas por ele e executadas por seus discípulos, à exceção dos quadros alegóricos do teto e do quadro de sessenta palmos da arquivolta.”

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Semelhante em:

sábado, 10 de julho de 2010

Dom Bertrand de Orleans e Bragança estará presente na 15º Feira Internacional do Livro de Lima

S.A.I. R. Dom Bertrand de Orleans e Bragança
Príncipe Imperial do Brasil


Dom Bertrand participará da 15º Feira Internacional do Livro de Lima, no Peru.

A Feira, promovida pela Câmara Peruana do Livro, ocorrerá de 22 de julho a 4 de agosto de 2010, na esplanada do parque dos Próceres de Jesús Maria. Em 14 dias de evento ocorrem mais de 390 atividades, são lançados e estão à venda os mais recentes livros, a Feira reúne cerca de 150 expositores entre editores, bibliotecas, embaixadas, representações comerciais e instituições. A Feira abriga mais de 280 estandes, espaço para oficinas, shows, projeções de filme, salas de exposição e parques com temáticas infantis.   

Dom Bertrand estará presente juntamente com escritores, professores, filósofos, doutores e palestrantes de renome como Martin Ellrodt, Gianni Vattimo, Jorge Franco, Pilar Donoso, Care Santos, Edmundo Paz Soldan, Pola OIoixarac, Monica Lavin, Avitov Yaron, Juan Ramirez Biedermann.

Noblesse & Royautés: Príncipe Antonio de Orleans e Bragança é admitido na Ordem de Malta

Do site belga Noblesse & Royautés


O Príncipe Dom Antonio João de Orleans e Bragança foi admitido na Ordem de Malta como Cavaleiro de Honra e Devoção. A cerimônia de investidura foi realizada em 24 junho no Rio de Janeiro, dia em que o Príncipe estava comemorando seu aniversário de 60 anos. Todos os anos na mesma data é celebrada no Mosteiro de São Bento a Santa Missa, a pedido da Associação do Rio de Janeiro da Ordem de Malta. O Abade do Mosteiro de São Bento, Dom Roberto Lopes presidiu a cerimônia religiosa, que foi concelebrada por outros sacerdotes, inclusive o Abade Emérito do Mosteiro, Dom José Palmeiro Mendes, amigo da Família Imperial.


Em sua homilia, Dom José lembrou os velhos laços entre a Ordem de Malta e a Família Imperial do Brasil e a Família Real de Portugal. Estiveram presentes na igreja com o Príncipe Dom Antonio, sua esposa, a Princesa Dona Christine de Ligne, e dois de seus filhos, o Príncipe Dom Rafael e a Princesa Dona Maria Gabriela, vários sobrinhos e sobrinhas, a Princesa Dona Isabel de Orleans e Bragança, Condessa de Stolberg- Stolberg. O irmão do Príncipe Dom Antonio, o Príncipe Dom Bertrand, Bailio Grão-Cruz de Honra e Devoção da Ordem de Malta, esteve presente.

Presente também o jovem Conde Antoine de Nicolay, filho do Conde Jean Louis de Nicolay, neto da falecida Princesa Dona Maria Pia de Orleans e Bragança, Condessa René de Nicolay, irmã do Príncipe Dom Pedro Henrique e tia do Príncipe Dom Antonio. Após a missa, o Príncipe Dom Antonio e sua esposa, a Princesa Christine, e o Príncipe Dom Bertrand, participaram em companhia do governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral e o Prefeito da cidade, Eduardo Paes e vários representantes das autoridades locais, de um jantar organizado em benefício das obras sociais da Ordem de Malta. É de se lembrar que o Príncipe Dom Antonio teve a dor de perder há um ano atrás, seu filho mais velho, o Príncipe Dom Pedro Luiz na queda do avião da Air France, no trajeto Rio - Paris. (Muito obrigado ao meu querido amigo do Brasil, a Eduardo e a Thiago pelas fotos e informações).  

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Dona Diana de Cadaval lança livro sobre a Rainha Dona Maria Pia de Portugal

Sua Alteza Real a Senhora Dona Diana, Duquesa de Cadaval e d'Anjou


No último dia 24, ocorreu na Embaixada da Itália, em Lisboa, o lançamento do livro “Eu, Maria Pia”, de autoria da Duquesa Diana de Cadaval.


Capa do livro "Eu, Maria Pia"


O livro conta a história da Rainha Maria Pia de Portugal, nascida Princesa da Itália, que se casou em 1864 com o Rei Dom Luiz I de Portugal, veja a sinopse da obra:

“Chegou a minha vez de morrer. Como último desejo peço que me virem na direcção de Portugal, o país que me encheu de alegria o coração de menina e me tirou tudo o que de mais sagrado tinha quando mulher. Olhando para trás, reconheço que a minha vida foi marcada pela tragédia. Vi partir uma mãe cedo de mais, morria de doença e de desgosto por um marido que a traía publicamente. Não me consegui despedir do meu pai, enterrei um marido que, com palavras doces e promessas vãs conquistou o meu ingénuo coração e no final me humilhou com as suas traições, um filho em quem depositava todas as esperanças, um neto adorado, e, por fim, a minha querida Clotilde, irmã de sangue e confidente. Claro que também tive momentos de felicidade. Quando sonhava acordada com Clotilde, deitadas nos jardins do Palácio de Stupigini, com príncipes e casamentos perfeitos, quando cheguei a Lisboa e o povo gritava o meu nome, quando viajava por essa Europa fora de braço dado com Luís, quando brincava no paço com os meus filhos ou quando estendia as mãos para ajudar os mais necessitados, abrindo creches e asilos. Mas mesmo nestas alturas havia quem me apontasse o dedo. Maria Pia a gastadora, a esbanjadora do erário público. A que dava festas majestáticas no paço, a que ia a Paris comprar os tecidos mais caros e as jóias mais exuberantes. Não percebiam eles que assim preenchia o vazio que, aos poucos, se ia instalando no meu coração. Diana de Cadaval traz-nos um retrato impressionante de D. Maria Pia, rainha de Portugal. Num romance escrito na primeira pessoa, ficamos a conhecer a trágica vida de uma princesa italiana feita rainha com apenas catorze anos.

Recebida em clima de grande euforia, Maria Pia foi, 48 anos depois, expulsa de um país a quem dedicou toda a sua vida. Morria pouco tempo depois, demente, longe dos seus tempos de fausto e opulência, mas com a secreta esperança de que a morte lhe trouxesse a tranquilidade há tanto desejada.”


Figura conhecida e admirada dos monarquistas, Dona Diana é a 11º Duquesa de Cadaval, Casa Ducal que tem suas origens em São Nuno de Santa Maria. Dona Diana nasceu em Genebra, na Suíça, a 25 de julho de 1978, é formada em Comunicação Internacional pela Universidade americana de Paris, atualmente está a frente da gestão dos negócios da Família, promovendo e apoiando festivais e diversos eventos de cultura em Évora.  Em 2008, Dona Diana casou-se com o Príncipe Charles-Phillipe de Orleans, Duque d'Anjou, numa cerimônia memorável que contou com a presença de membros das Famílias Reais e da nobreza européia, passando a ser também Duquesa d' Anjou.

O livro “Eu, Maria Pia” pode ser comprado através do site Esfera dos Livros.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Aniversário de Dom Antonio

S.A.R. o Senhor Dom Antonio de Orleans e Bragança


Aniversaria no dia 24 de junho, o Príncipe Dom Antonio de Orleans e Bragança. Trata-se este ano de um aniversário expressivo, pois festeja 60 anos de idade. Lembremos que Sua Alteza Real ocupa o terceiro lugar na Sucessão ao Trono Brasileiro, ou seja, logo depois de seus irmãos mais velhos Dom Luiz e Dom Bertrand, que são solteiros.

Em foto de Família, S.A.I.R. Dona Maria cuida dos filhos, da esquerda para a direita, Dom Antonio é o 6º 

Nasceu no Rio de Janeiro a 24 de junho de 1950, sendo o sétimo dos doze filhos do Príncipe Dom Pedro Henrique, Chefe da Família Imperial e Herdeiro do Trono do Brasil, e da Princesa Dona Maria, nascida Princesa Real da Baviera. Recebeu no batismo o nome de Antonio em homenagem ao tio avô, filho mais moço da Princesa Isabel; João por ter nascido justamente no dia de São João Batista; Maria José pela devoção dos pais à Nossa Senhora e seu esposo;  Jorge é o nome de seu padrinho, o Arquiduque Jorge da Áustria (ramo da Toscana), primo-irmão de seu pai; Miguel Gabriel Rafael Gonzaga são os nomes dos três Santos Arcanjos e são tradicionais na Casa de Bragança desde Dom João VI.

Em sua infância, Dom Antonio viveu em Jacarezinho, Paraná, no período em que seus pais lá moravam como fazendeiros. Mais tarde mudou-se com a Família para Vassouras. Formou-se em 1976 em Engenharia Civil pela Universidade de Barra do Pirai, ligada ao complexo da Companhia Siderúrgica Nacional. Fez um estágio na Alemanha, na área da Engenharia Nuclear e trabalhou em várias empresas no Rio de Janeiro. Como seu pai, é conceituado pintor aquarelista, tendo realizado exposições em várias cidades do Brasil e também no exterior. Retrata geralmente em suas telas igrejas, antigas fazendas, prédios históricos, visões, enfim, de um Brasil tradicional.

Dom Antonio posa para foto tendo atrás seu antepassado, Dom Pedro II


Aquarela de Dom Antonio, retratando o Jardim Botânico do Rio de Janeiro


Nesta aquarela, belíssima, o Príncipe Dom Antonio retrata uma paisagem típica do Rio de Janeiro, onde pode se ver a Igeja de Nossa Senhora da Gloria do Outeiro


Dom Antonio é o único dos Príncipes homens de sua geração – bisnetos da Princesa Dona Isabel e do Conde d’Eu – a realizar um casamento Principesco. Daí ficar em terceiro lugar na linha da Sucessão do Trono, tendo a ele renunciado seus irmãos mais velhos, Dom Eudes, Dom Pedro de Alcântara, Dom Fernando. Casou no Castelo de Beloeil, na Bélgica, a 26 de setembro de 1981, com Sua Alteza a Princesa Christine Maria Elisabeth de Ligne, nascida no mesmo Castelo a 11 de agosto de 1955, filha de Antonio, 14º Príncipe de Ligne, Príncipe d´Amblise e d´Epinoy, e de Alix, Princesa do Luxemburgo, de Nassau e de Bourbon Parma. Os Ligne constituem uma das primeiras Famílias do Reino da Bélgica, sendo uma Casa nobre de origem feudal, conhecida já no século XI. É Dona Christine neta materna da Grã-Duquesa Carlota do Luxemburgo (e prima irmã do atual Grão-Duque, Henri). Alguns meses antes do matrimônio de Dom Antonio e Dona Christine, no mês de março, casaram no Outeiro da Glória, no Rio de Janeiro, a Princesa Dona Eleonora, irmã de Dom Antonio, com o irmão de Dona Christina, o Príncipe Michel de Ligne, que com a morte do pai, Antonio, em 2005, é o 15º Príncipe de Ligne.

Na Bélgica, o casamento de Dom Antonio com Dona Christine





Dom Antonio e Dona Christine





Do casaento de Dom Antonio e Dona Christine nasceram quatro filhos, sendo o mais velho o saudoso Príncipe Dom Pedro Luiz, falecido ano passado, com 26 anos, no trágico acidente do vôo 447 da Air France, em pleno Oceano Atlântico. Os outros filhos do casal são a princesa Dona Amélia, 26 anos, arquiteta, trabalhando atualmente em Madri, Espanha; o Príncipe Dom Rafael, 24 anos, que está se formando em Engenharia da Produção pela PUC/RJ e já trabalhando numa grande empresa no Rio de Janeiro; e a princesa Dona Maria Gabriela, 21 anos, estudando Comunicação Social na PUC/RJ.

Em Petrópolis na Missa pelos 160 anos da Redentora


Dom Antonio reside em Petrópolis, estando bem integrado nesta cidade Imperial. É, por exemplo, membro do Conselho Consultivo da Associação dos Amigos do Museu Imperial (seu primo Dom Pedro Carlos é o presidente de honra da entidade). Atualmente tem também um apartamento no Rio de Janeiro, facilitando atividades na cidade, os estudos e trabalhos dos filhos.

Na Ordem de Malta


Justamente no dia de seus 60 anos, o Príncipe Dom Antonio irá ingressar na Ordem Soberana de Malta, que festeja no dia 24 de junho seu padroeiro, São João Batista, com Missa solene no Mosteiro de São Bento, presidida por Dom Abade Roberto Lopes, que é também Capelão Conventual da Ordem. A celebração será às 18h, seguindo-se uma recepção na Casa Julieta de Serpa, com jantar em benefício das obras assistenciais da Ordem na cidade.

Dom Antonio ingressa na Ordem dentro da alta categoria de Cavaleiro de Honra e Devoção, que é reservada a nobres católicos (no Brasil a maior parte dos membros da Ordem são Cavaleiros de Graça Magistral, o que não exige prova de nobreza).

A Ordem de São João de Jerusalém, dita Ordem de Malta, nasceu pelo ano 1048, como comunidade monástica, que tratava dos peregrinos e enfermos e acolhia os indigentes. Sob o Beato Gerardo e por uma Bula do Papa Pascoal II de 1113, converteu-se numa Ordem isenta da Igreja. Diante da responsabilidade de ter que assumir a defesa militar dos enfermos e dos territórios cristãos na Terra Santa, assumiu o caráter de Ordem de Cavalaria, religiosa e militar ao mesmo tempo. Em 1291, depois da perda de São João d´Acre, último baluarte da Cristandade na Terra Santa, a Ordem estabeleceu-se em Chipre e em 1310 ocupou a ilha de Rodes, ali adquirindo uma soberania territorial. Para defender o mundo cristão, constituiu uma poderosa frota. Governada por um Grão-Mestre, Príncipe soberano de Rodes, e por um Soberano Conselho, cunhava moeda e mantinha relações diplomáticas com os demais Estados. Os cavaleiros rechaçaram com êxito numerosos assaltos dos otomanos, mas diante do ataque do Sultão Solimão o Magnífico, com uma grande frota e um poderoso exército, tiveram que capitular e deixaram a ilha em 1523. O Imperador Carlos V, então, cedeu à Ordem as ilhas de Malta, Gozo e Comino, assim como a cidade de Trípoli, como feudo soberano. Em 1530 a Ordem tomou posse de Malta, com a aprovação do Papa Clemente VII. Durante o Grande Assédio, em 1565, os otomanos foram derrotados pelos Cavaleiros. A frota da Ordem de São João (ou de Malta, como começou a chamar-se) foi uma das mais poderosas do Mediterrâneo e contribuiu para a destruição definitiva dos otomanos na célebre batalha de Lepanto de 1571. Em 1798 Napoleão Bonaparte, durante a campanha do Egito, ocupou a ilha de Malta e os cavaleiros, por causa da Regra da Ordem que lhes proíbe lutar contra outros cristãos, não resistiram e se viram obrigados a abandonar a ilha, que em 1802 começou a ser ocupada pelos ingleses. A Ordem se estabeleceu definitivamente em Roma em 1834, aí possuindo nos dias de hoje o Palácio de Malta, na via Condotti, e a Villa Magistral, no Aventino, que gozam do privilégio de extraterritorialidade. A missão original da Ordem, a serviço dos pobres e dos enfermos, voltou a ser sua missão principal.

Por tradição os cavaleiros de Malta provinham, no passado, em grande maioria, de famílias da nobreza católica da Europa. Ainda hoje é uma Ordem cavalheiresca, tendo mantido os valores da cavalaria e da nobreza. Na Europa boa parte de seus membros provém ainda dos círculos da nobreza. Mas tanto na Europa como, mais ainda, em outros Continentes, são também admitidas pessoas da todas as classes sociais, mas com especiais méritos e com espírito altruístico.

Graças a uma história ininterrupta de quase nove séculos, a Soberana Militar Ordem de Malta é hoje a única sucessora da Ordem Hospitalar de São João de Jerusalém, reconhecida pela Igreja Católica em 1113. É a única a ser ao mesmo tempo Ordem religiosa e Ordem de cavalaria. Possui cavaleiros professos, que emitem votos religiosos. Deles sai o Príncipe e Grão-Mestre e a maioria dos membros do Soberano Conselho, o órgão dirigente máximo da Ordem. Sujeito do direito internacional público, a Ordem nunca deixou de ser reconhecida como soberana. O Grão-Mestre (Frei Matthew Festing, inglês, é desde 2008 o 79º Grão-Mestre) governa a Ordem como Príncipe Soberano – sendo  reconhecido como Chefe de Estado por muitos países – e como superior religioso. Tem o tratamento único de Alteza Eminentíssima, tendo uma categoria na Igreja equivalente a dos Cardeais.

A Ordem mantém relações diplomáticas com 104 países e 17 organizações internacionais (como a FAO e a UNESCO e tem uma representação permanente na ONU). Está presente em 54 países, entre os quais o Brasil. Em nosso país houve alguns cavaleiros e damas no tempo do Império (cf. João Hermes Pereira da Araújo, “A Ordem de Malta e o Brasil Imperial” in “Anuário do Museu Imperial”, vol. XVIII, 1957). A verdadeira organização, porém, começou em 1957 com a fundação da Associação Brasileira do Rio de Janeiro e da Associação de São Paulo e do Brasil Meridional. Em 1984 foi criada uma terceira Associação, a de Brasília e do Brasil Setentrional.

A Família Imperial Brasileira sempre manteve vínculos com a Ordem de Malta, continuando a tradição da Família Real Portuguesa (o 11º Grão-Mestre foi um Príncipe Português, Dom Afonso de Portugal, possivelmente filho do Rei Dom Afonso Henriques). Reinando a dinastia de Avis, por várias vezes Príncipes da Casa Real ocuparam a sede Priorado do Crato. O Priorado do Crato é um extenso e valioso senhorio que abrangia vasta extensão de território e que foi cedido em 1232 pelo Rei Dom Sancho II aos cavaleiros da Ordem de São João de Jerusalém, em recompensa dos serviços prestados por eles na luta contra os mouros. Em meados do sec. XIV, a vila do Crato passou a ser a sede do Cavaleiros de São João em Portugal. O primeiro Grão-Prior foi Dom Luis de Portugal, filho do Rei Dom Manuel I, o Venturoso, tão ligado à História do Brasil. Sob a dinastia de Bragança, as relações da Família Real com o Priorado do Crato se tornaram permanentes. Em 1789 o Papa Pio VI publicou um breve, determinando que um Príncipe da Família Real fosse sempre o Grão-Prior do Crato. D. Pedro III e depois seu filho D. João VI sempre manifestaram afeição pela Ordem de São João. Nosso Imperador D. Pedro I foi Grão-Prior do Crato desde 1799. Vários retratos do Soberano mostram o uso constante que fazia, colocando o hábito pendente de Malta sob as insígnias da Ordem do Tosão de Ouro. A Imperatriz Dona Leopoldina foi admitida também na Ordem, em 1817, na condição de Dama Grã-Cruz de Honra e Devoção. Igualmente o Imperador Dom Pedro II entrou na Ordem, em 1846, como Bailio Grã-Cruz de Honra e Devoção, a mais alta graduação da Ordem; a imperatriz Dona Teresa Cristina foi, a partir de 1878, Dama Grã-Cruz de Honra e Devoção (como retribuição, o Grão-Mestre Ceschi, foi feito Grão-Cruz da Ordem de Cristo).

Interessante que nem a Princesa Dona Isabel, nem seu marido, o Conde d’Eu, e também nenhum de seus filhos, ingressaram na Ordem de Malta. A Família Imperial voltou a integrar a Ordem em nosso tempo. Primeiro foi admitido, em 1972, como Bailio Grão-Cruz de Honra e Devoção o Príncipe Dom Pedro Gastão, o qual em 1966 recepcionou no Palácio Grão-Pará, em Petrópolis, o Príncipe e Grão-Mestre da Ordem, Frei Ângelo de Mojana di Cologna, em visita oficial ao Brasil. Em 1974 foi a vez do próprio Chefe da Família Imperial, Dom Pedro Henrique, ser admitido, igualmente na condição de Bailio Grão-Cruz de Honra e Devoção, o grau máximo da Ordem. Ele recebeu depois a Cruz de Profissão.  Várias vezes participou da anual Missa da Ordem, no Mosteiro de São Bento, ao lado do Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira. Em 2002 foi a vez de entrarem na Ordem Dom Luiz e Dom Bertrand, sempre como Bailios Grão-Cruzes de Honra e Devoção. O ingresso dos dois ocorreu numa cerimônia singular: foi diretamente em Roma, na sede da Ordem, presidindo a cerimônia o próprio Grão-Mestre, na época Frei Andrew Bertie. É de se lembrar que também outro descendente de Dom Pedro II é membro proeminente da Ordem: Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança é não só Cavaleiro Grã-Cruz de Obediência da Ordem, mas um dos presidentes de honra da Associação de São Paulo e Brasil Meridional, depois de ter sido seu presidente efetivo de 1960 a 1965.

A Dom Antonio, nesta data especial de seu aniversário e de ingresso na Ordem, parabéns e muitas felicidades. 

quarta-feira, 23 de junho de 2010

O casamento da Princesa Vitória, Herdeira do Trono da Suécia, com Daniel Westling



Ocorreu no último dia 19, o casamento da Princesa Vitória, Herdeira do Trono da Suécia, com Daniel Westling.

Os noivos


A saída na Catedral de Estocolmo


No ano em que a Casa Real da Suécia comemora os 200 anos de Soberania da Dinastia Bernadotte, o Rei Carl XVI Gustavo e a Rainha Silvia da Suécia casaram a Herdeira do Trono numa das mais belas cerimônias da monarquia moderna. A Catedral de Estocolmo, palco do enlace, recebeu cerca de 1.100 convidados, muitos membros da nobreza e da realeza mundial, entre eles, pode-se citar, por parte da Espanha, a Rainha Sofia, os Príncipes Filipe e Letizia, a Infanta Elena, a Infanta Cristina e o marido, Iñaki Urdangarín, da Família Real da Holanda compareceram a Rainha Beatriz, também o Príncipe Guilherme e a Princesa Máxima, a Princesa Amália, os Príncipes Constantino, Laurentien, Mabel e Friso, por parte da Família Real Britânica compareceu o Príncipe Edward e sua esposa, Sophie. Por parte da Dinamarca, a Rainha Margareth II e o Príncipe Henrik, acompanhados dos Príncipes Herdeiros, Frederico e Mary, e dos Príncipes Christian, Alejandra e Natalie, com seus respectivos maridos, o Conde Jefferson e Alexander Johannsmann. Presentes ainda os Reis da Noruega, os Príncipes Hereditários Haakon e Mette-Marit, a Princesa Marta Louise e o marido, Ari Behn. A Família Imperial do Japão foi representada pelo Príncipe Herdeiro Naruhito. Da Jordânia compareceram os Rei Abdullah II e a Rainha Rania. Por parte do Luxemburgo, o Grão Duque Henri e a Grã-Duquesa Maria Teresa, o Príncipe Herdeiro Guilherme, o Príncipe Felix, por parte da Iugoslávia, o Príncipe Alexandre e a Princesa Catherine, por parte do Liechtenstein, os Príncipes Herdeiros Alois e Sofia, e por parte da Romênia, a Princesa Margarita e o Príncipe Radu, ainda, por parte da Grécia, o Rei Constantino e a Rainha Ana Maria, e, de Mônaco, o Príncipe Albert.

A Realeza Européia e a família do noivo


A mãe do noivo e o Rei da Suécia


A Rainha da Suécia e o pai do noivo


A Princesa Máxima da Holanda e o Príncipe Frederico da Dinamarca  


Os Príncipes Filipe e Letizia da Espanha


A Rainha Ana Maria da Grécia


O Rei Constantino da Grécia e a Rainha Rania da Jordânia


As Rainhas Margareth II da Dinamarca e Beatriz I da Holanda


O Rei da Jordânia e a Princesa Madelana da Suécia


A Princesa Matte-Marit da Noruega e o Príncipe Guilherme, Herdeiro do Trono do Luxemburgo


A Infanta Elena de Espanha


O Príncipe Gustav de Sayn-Wittegenstein-Berleburg e Carina Axelsson


A noiva, Princesa Vitória, com o pai, Rei da Suécia


A noiva teve como damas de honra a Princesa Ingrid Alexandra da Noruega e a Princesa Amália da Holanda, já, Daniel Westling teve como cavalheiro de honra, o Príncipe Cristiano da Dinamarca. Os celebrantes do matrimônio foram o Arcebispo Anders Wejryd e concelebrantes o Bispo Emérito Lars-Göran Lönnermark, o Bispo de Lund Antje Jackelén e Dom Âke dy Bonnier. Depois da cerimônia, seguiu-se as comemorações no Palácio Real de Drottningholm.

No balcão do Palácio Real de Drottningholm


A Família da noiva e a Família do noivo


Os noivos e as damas e cavalheiros de honra


Com o casamento, Daniel Westling foi investido com o título de Príncipe e de Duque de Västergötland, como estilo de Sua Alteza Real.  

terça-feira, 22 de junho de 2010

Divulgadas as fotos do XXI Encontro Monárquico

Foram divulgadas, através do blog http://monarquia21.ning.com/, as fotos do XXI Encontro Monárquico do Rio de Janeiro. Nelas podem-se ver o público que assistia às palestras daquele dia, toda a estrutura montada, além dos Príncipes Dom Bertrand, Dom Rafael, Dona Maria Gabriela e Dom Gabriel de Orleans e Bragança. Acesse o blog.

sábado, 19 de junho de 2010

Imperatriz Dona Amélia do Brasil é destaque de exposição em Munique


A Imperatriz Dona Amélia


Desconhecida de muitos brasileiros, a Imperatriz Dona Amélia é destaque de exposição em Monique.

Sob a curadoria da Baronesa Suzane von Seckendorff e do Conde Heinrich Von Spreti acontece até 30 de setembro de 2010, no Palácio de Leuchtenberg, em Munique, na Alemanha, a exposição “Estritamente Confidencial! – Munique, Rio de Janeiro, Amélia Von Leuchtenberg torna-se Imperatriz do Brasil”. A mostra tem como base o diário do Conde Friedrich Von Spreti, que em 1929 foi responsável pela administração financeira da viagem nupcial da futura Imperatriz ao Brasil. O diário já havia sido editado e transformado em livro em 2008 sobre o título “Das Reisetagebuch des Grafen Friedrich von Spreti: brasilianische Kaiserhochzeit 1829” e agora é personificado através da exposição, como afirma a Baronesa von Seckendorff: "O livro é o cerne da exposição. Transformamos quase 400 páginas em banners e vitrines". O Conde Friedrich von Spreti, em 1929, além de registrar toda a negociação do casamento e a viagem de Dona Amélia, que foi tratada na época como sigilosa, registrou fatos da Corte do Rio de Janeiro. A exposição atesta que antes da vinda para o Brasil, Dona Amélia teve aulas de português e de cultura brasileira.


Sobre a Imperatriz Dona Amélia

Nascida Amélie Auguste Eugénie de Leuchtenberg, Princesa de Leuchtenberg, em Milão, a 31de julho de 1812, a segunda Imperatriz do Brasil era filha de Eugênio de Beauharnais, Príncipe da França, Vice-Rei da Itália, Príncipe de Veneza, Grão Duque de Frankfurt, Duque de Leuchtenberg, Príncipe de Eichstätt e Arquichanceler de Estado do Império Francês, filho dos Viscondes de Beauharnais Josefina e Alexandre de Beauharnais, que mais tarde, com o falecimento do pai e o novo casamento da mãe foi, pelas circunstâncias, enteado e homem de extrema confiança de Napoleão Bonaparte. A mãe de Dona Amélia era a Princesa Augusta Amélia da Baviera, filha do Rei Maximiliano I José da Baviera e da Rainha Augusta Guilhermina, nascida Princesa de Hesse-Darmstadt. Tinha como irmãos a Princesa Carolina Clotilde; nascida e falecida em 1806, a Rainha Josefina (1807-1876); casada com o Rei Oscar I da Suécia e da Noruega, a Princesa Eugênia (1808-1847); casada com o Príncipe Constantino Hohenzollern-Hechingen, o Príncipe Augusto (18101835); casado com sua enteada D. Maria II, filha de Dom Pedro I, Rainha de Portugal, a Duquesa Teodolinda (18141857); casada com o Duque Guilherme von Urach e Maximiliano (18171852); casado com a Grã-Duquesa Maria Nikolaievna, filha de Nicolau I da Rússia.

Educada privativamente nos Palácios da Família, Dona Amélia teve sua apresentação formal a Corte da Baviera em 1828.

Em 1826, no Brasil, faleceu a Imperatriz Dona Leopoldina, primeira esposa do Imperador Dom Pedro I, mãe de seus sucessores. Esteve então, a partir de 1827, o Marquês de Barbacena, em viagem para encontrar uma segunda esposa para o Imperador. Chegando a Europa, muitos eram os nomes para possíveis alianças, mas a Princesa Amélia de Leuchtenberg chamava a atenção pela juventude e beleza, sendo ela a escolhida. Em 30 de junho de 1829, sua mãe, a Duquesa Augusta Amélia, assinou o contrato de casamento, que um mês mais tarde foi confirmado no Brasil. Em 2 de agosto, foi celebrado na Capela do Palácio de Leuchtenberg a cerimônia de casamento, sendo o procurador do Imperador Dom Pedro I, o próprio Marquês de Barbacena. A vinda de Dona Amélia para Brasil deu-sê em meio as turbulências da usurpação do trono de Portugal por Dom Miguel, Trono que Dom Pedro I havia herdado e abdicado em favor da Princesa Dona Maria da Glória, tendo, o navio que trazia a Imperatriz, de passar por portos da Bélgica e Inglaterra, chegando ao Brasil em 16 de outubro de 1829. A bordo do navio também estava o 2º Duque de Leuchtenberg, Príncipe Augusto de Beauharnais, condecorado pelo Imperador como Duque de Santa Cruz, a quem deu a mão de sua filha, a Rainha Dona Maria II de Portugal, em casamento.

Em 17 de outubro daquele ano o casal recebeu as bênçãos na Capela Imperial. O Imperador criou a Imperial Ordem da Rosa para homenagear a esposa e comemorar o casamento.

Pintura de Dona Amélia, datada de 1829, dada à sua mãe


A trajetória de Dona Amélia como Imperatriz foi bastante curta, dada a abdicação de Dom Pedro I em 7 de abril 1831, esteve no Trono efetivamente por apenas 2 anos. Resignada, estudiosa e comprometida, chegou ao Brasil entendendo o português e falando quase perfeitamente o idioma. Aos filhos do marido representou a mãe que haviam perdido, inclusive à filha ilegítima do Imperador, a Duquesa de Goiás, que adotou pra si. Organizou os protocolos do Palácio de São Cristovão, configurando ao lugar, ares da Corte européia.

Em 1831, com a abdicação do Imperador ao Trono do Brasil, embarcaram para a Europa estando ela grávida de 4 meses. Passaram então pelos Açores e França, onde a Imperatriz deu à luz a única filha do casal, Dona Maria Amélia de Bragança, lá também aguardavam por Dom Pedro I que estava liderando as lutas contra o usurpador Dom Manoel, que havia roubado o Trono de Dona Maria da Gloria. Em agosto de 1834, as Cortes de Portugal confirmam a vitória de Dom Pedro I nas batalhas contra os miguelistas, ao conceder o título de Rainha a Dona Maria da Gloria. O Imperador passou a residir com a Imperatriz Dona Amélia e as filhas Dona Maria Amélia e a Duquesa de Goiás no Palácio de Queluz, em Lisboa, onde faleceu em 24 de setembro de 1834. Após a morte do marido, Dona Amélia se dedicou a caridade, ao auxílio dos desprovidos e aos cuidados com a filha e a enteada, retornando a Baviera em 1850. Pouco tempo depois, pelas evoluções da tuberculose da Princesa Dona Maria Amélia, a Imperatriz viu-se obrigada a rumar com a filha para a Ilha da Madeira, em busca de ares favoráveis ao seu tratamento, não obtendo êxito, a Princesa faleceu aos 22 anos de idade em 4 de fevereiro de 1853. A Imperatriz retornou a Lisboa, onde faleceu em 26 de janeiro de 1876. Atualmente Dona Amélia jaz na Cripta Imperial do Monumento à Independência do Brasil, em São Paulo, ao lado do Imperador Dom Pedro I e da Imperatriz Dona Leopoldina.

A Imperatriz já idosa


A exposição “Estritamente Confidencial! – Munique, Rio de Janeiro, Amélia Von Leuchtenberg torna-se Imperatriz do Brasil”, foi organizada pela Sociedade Brasil-Alemanha, que completa 50 anos em 2010, com o apoio do Governo do Estado da Baviera e da Fundação Karl Graf Spreti.

O casamento da Princesa Augusta da Baviera com o Príncipe Ferdinand de Lippe-Weissenfeld

Os noivos récem-casados
Foto: Bild.de



"Na Abadia de Andechs, perto de Munique, a Princesa Augusta da Baviera, filha de Príncipe Luitpold e da Princesa Beatrix da Baviera, neta do príncipe Ludwig da Baviera, e a Princesa Irmingard, trineta do Rei Luís III da Baviera, casou com a Príncipe Ferdinand de Lippe-Weissenfeld.

A Princesa Augusta, de quase 30 anos, é a filha mais velha de Príncipe Luitpold. Ela tem uma irmã Alice (casado com o Príncipe Lukas Auersperg) e três irmãos Ludwig, Heinrich e Karl. Ela é bióloga e o marido é advogado.

Após a cerimônia religiosa, celebrou-se a festa no Castelo de Leutstetten, próximo a Starnberg, onde os pais da Princesa Augusta residem. O Príncipe Franz da Baviera, O Duque Max e Duquesa Elisabeth da Baviera, o Príncipe Emich Karl e Princesa Isabel de Leiningen e vários membros de Famílias Principescas alemãs assistiram ao casamento."

A Princesa Augusta é sobrinha-neta de Dona Maria da Baviera, de jure Imperatriz do Brasil, esposa do falecido Príncipe Dom Pedro Henrique e mãe do atual Chefe da Casa Imperial do Brasil, Dom Luiz de Orleans e Bragança. O casamento ocorreu em 8 de junho de 2010.   

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Dom Antonio na Ordem de Malta


Transcrevemos parte da coluna de Márcia Peltier, em 9 de junho de 2010, que noticia a investidura de Dom Antonio de Orleans e Bragança como membro da Ordem de Malta. Acompanhe:

"Sangue azul



O príncipe Antonio de Orleans e Bragança será investido como cavaleiro da Ordem Militar e Soberana de Malta em cerimônia no Mosteiro de São Bento, dia 24, às 18h. Receberá o titulo de cavaleiro de honra e devoção, a mais alta distinção, só concedida a quem provar que tem como antepassados quatro avós nobres em 200 anos ou que a varonia do avô paterno tem, pelo menos, 450 anos de sangue azul. Abaixo dessa distinção estão os cavaleiros de graça e devoção e, por último, os de graça magistral, que só têm de ser bons católicos.


Dom Antonio: prestigiado em todos os grupos,
será investido como membro da Ordem de Malta


Segundo tempo



Na mesma noite, os integrantes da Ordem se reúnem para jantar na Casa Julieta de Serpa. A motivação, então, será outra: arrecadar fundos para as obras sociais da Ordem de Malta, que mantém 10 consultórios de pediatria e cinco de ginecologia nas comunidades pobres do Itanhangá. Outra obra beneficiada na ocasião será o Rio Solidário da primeira-dama Adriana Ancelmo. Elá, aliás, será homenageada com o título Pró-Mérito Melitense, em razão da ajuda prestada aos desabrigados das últimas chuvas".

Os Príncipes Dom Bertrand e Dom Luiz de Orleans e Bragança ingressaram na Ordem de Malta em 30 de outubro de 2002, numa cerimônia no Palácio Magistral de Malta, em Roma, presidida por S.A.E. Fra Andrew Bertie e seguida de banquete comemorativo. Os Príncipes foram investidos com honraria de Bailio Grã-Cruz de Honra e Devoção.

ATENÇÃO


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