domingo, 13 de julho de 2014

Princesa Dona Amélia de Orleans e Bragança e James Spearman se casam em agosto no Rio

As vésperas de seu casamento no Brasil, a Princesa Dona Amélia de Orleans e Bragança e o noivo, James Spearman, pousaram para uma sessão de fotografias exclusivas para a agência britânica Newscom, no dia 25 de junho, em Londres.

Dona Amélia e James Spearman
Imagem: Newscom


Mesmo o noivo pertencendo a uma ilustre família europeia, tendo sido seus antepassados, figuras proeminentes da vida pública do Reino Unido da Grã-Bretanha e titulados Baronetes, o casamento é considerado em desigualdade. Esta questão obriga a Casa Imperial do Brasil a tomar uma posição: anuir o casamento, abrindo precedentes para casamentos morganáticos, ou exigir a renúncia da noiva, por si e sua descendência, aos seus direitos ao Trono do Brasil. O assunto, por se tratar primeiramente de uma discussão estritamente familiar, será tratado neste âmbito. A situação, portanto, permanece indefinida e, quando houver resolução, será divulgada a todos pela assessoria da Casa Imperial do Brasil.

Na Família Imperial o primeiro caso similar aconteceu, em 1908, com o filho primogênito da Princesa Dona Isabel, quando Dom Pedro de Alcântara renunciou, excluindo a si e toda a sua descendência dos direitos ao trono brasileiro, para se casar com a Condessa Elisabeth. Nas décadas de 70, 80 e 90, os filhos de Sua Alteza Imperial e Real, o Príncipe Dom Pedro Henrique, que fizeram casamentos em desigualdades, também renunciaram ao Trono do Brasil. O único caso emblemático é o de Dona Pia Maria, que ao se casar com o Conde Rene de Nicolaÿ, permaneceu como dinasta e com o uso de seus títulos, não tendo sua descendência, direito algum sobre aquelas titulações. De fato, a decisão cabe única e exclusivamente ao Chefe da Casa Imperial, que no uso de suas atribuições, com base na Constituição do Império e nas resoluções internas, fará a melhor escolha.

O casamento da Princesa Dona Amélia como James Spearman ocorrerá no dia 15 de agosto na Igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé Catedral, no centro histórico do Rio de Janeiro.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

80 anos do falecimento do Príncipe Dom Pedro Augusto de Saxe-Coburgo e Bragança


Por Dionatan da Silveira Cunha

Há 80 anos, em 19 de setembro de 1934, o saudoso Conde de Afonso Celso, em nota necrológica da Sessão Ordinária do IHGB, dizia: “entre os nossos consócios falecidos figurava um príncipe. Foi Dom Pedro Augusto de Saxe Coburgo, neto do nosso grande imperador Pedro II e filho da gentil Princesa D. Leopoldina”. Afonso Celso de Assis Figueiredo Júnior tinha total conhecimento deste ilustre confrade, que tanto no Rio, quanto no exílio pôde acompanhar.

Este Príncipe, que no final da vida experimentou o esquecimento da Nação, foi recebido, ao nascer, com repiques de sinos, salvas de canhões e girandolas de foguetes. Carregando o peso de ser o neto primogênito do Imperador Dom Pedro II e de simbolizar a bonança, depois da terrível Guerra do Paraguai - verdadeiro terremoto no sul dos trópicos, Dom Pedro Augusto teve, portanto, as mais gloriosas honras do Império, mas também as mais desventurosos penas do desterro.


Dom Pedro Augusto Luís Maria Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Saxe-Coburgo e Bragança nasceu em 19 de março de 1866, sob os auspícios do médico Cândido Borges Monteiro – primeiro e único Visconde com grandeza de Itaúna, e com o árduo trabalho da parteira Marie Josephine Mathilde Durocher, renomada profissional e famosa ensaísta – mais tarde primeira mulher a ser recebida na Academia Imperial de Medicina. Naquela segunda-feira, o Imperador Dom Pedro II e a Imperatriz Dona Teresa Cristina, emocionados, acompanhavam todos os progressos no Palácio Leopoldina. Nascido, o pequeno Príncipe passou a receber toda a atenção dos avôs maternos, sendo festejado tanto pela Corte, quanto pelo povo. Dom Pedro Augusto foi batizado na Capela Imperial, atual Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, e teve como padrinhos o avô - Imperador do Brasil e a bisavó – a Rainha Maria Amélia da França. O nascimento mereceu destaque na Fala do Trono, em cerimônia que marcava a abertura dos trabalhos da Assembleia Geral do Império, de 3 de maio de 1866, onde o Imperador Dom Pedro II declarava: "Cheio de prazer vos anúncio o nascimento do Príncipe Dom Pedro, fruto do feliz consórcio de minha muito cara filha a Princesa Dona Leopoldina com o meu muito prezado genro o Duque de Saxe”. 

O Duques de Saxe com o primogênito 

Fruto do casamento de uma princesa brasileira – nascida nos trópicos, e de um Príncipe alemão - nascido na França, Dom Pedro Augusto era membro de duas das mais importantes Famílias Soberanas do mundo, os Bragança e os Saxe-Coburgo-Gotha. Por sua mãe, a Princesa Dona Leopoldina Teresa Francisca Carolina Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon, herdou as tradições das Casas de Borgonha e Avis que construíram Portugal, fazendo daquele pequeno país uma grande potência mundial, também da Dinastia Bragantina reconhecida por ter dados Reis e Santos àquelas terras e por ter cimentado a Independência do Brasil, dando também a este país, os seus dois melhores governantes. Dona Leopoldina descendia também dos Bourbon, Família Soberana da França, Espanha e de parte da Itália.  Por seu pai, o Príncipe Luís Augusto Maria Eudes de Saxe-Coburgo-Gotha – Duque de Saxe, que fora indicado em 1863 para ser eleito Rei da Grécia, Dom Pedro Augusto era um dos legatários dos Ducados Ernestinos, originados na antiga Casa de Wettin, que dominaram Sachsen-Coburg und Gotha, no centro da atual Alemanha, de 1826 a 1920. Esta Casa emprestou a várias partes da Europa alguns de seus melhores varões, onde seus membros subiram ao trono da Grã-Bretanha, Polônia, Bélgica e Bulgária. Dom Pedro Augusto nascia aparentado com a realeza de todo o mundo: era neto dos Imperadores do Brasil, bisneto do Rei Luiz Filipe dos Franceses, primo do Duque Soberano Ernesto II de Saxe-Coburgo-Gotha, do Rei Francisco II das Duas Sícilias, do Rei Leopoldo II dos Belgas, do Rei Dom Fernando II de Portugal e do Príncipe Alberto – Consorte da Rainha Vitória do Reino Unido da Grã-Bretanha. Dom Pedro Augusto era ainda sobrinho do Palatino da Hungria, o Arquiduque José Antonio da Áustria-Toscana, do Czar Fernando I da Bulgária, e, principalmente, da Herdeira do Trono brasileiro, a Princesa Dona Isabel.

Dom Augusto Leopoldo
Depois do batizado do filho, o Duque de Saxe, acompanhado da família, rumou para a Europa. A primeira viagem internacional do pequeno Príncipe Pedro Augusto e da Princesa Dona Leopoldina serviu também como oportunidade para conhecer os familiares do além-mar, inclusive a Imperatriz Viúva Dona Amélia, que morava em Portugal e tinha como uma querida avó. A família só voltou ao Brasil em 1867, quando a Princesa estava gravida do seu segundo filho. Em 6 de dezembro daquele ano, nascia, em Petrópolis, Dom Augusto Leopoldo, o Príncipe Marinheiro.

Dom José
Depois da Guerra, a vida no Brasil se desenrolava de maneira tranquila. Com os cunhados e os sogros, além dos amigos que recebiam as terças-feiras no Palácio Leopoldina, os Duques de Saxe passavam os dias entre as cerimônias oficiais de Estado e os eventos da vida pessoal. Em 21 de maio de 1869, Dom Pedro Augusto ganhava mais um irmão – nascia, na Cidade Imperial, o Príncipe Dom José.

Em agosto de 1869, o Duque de Saxe e a Princesa Dona Leopoldina desejaram retornar a Europa. A volta marcou a despedida da Princesa das terras brasileiras. Foi uma grande temporada, entre Paris, Viena, Graz, Ebenthal e tantas outras cidades onde o casal e os filhos eram muito bem recebidos. Apesar das dificuldades politicas da Europa de então, vivia-se feliz com as distrações domésticas e sociais. As crianças prendiam a atenção da família, crescendo, desenvolvendo-se e aprendendo. Dia-a-dia manifestavam progressos que eram compartilhados com os tios e os avôs no Brasil. O pequeno Dom Pedro Augusto recebia também os cuidados do preceptor Gustave Braun, que se encarregou das primeiras noções comportamentais do pequeno Príncipe.
 
O Príncipe Luís e a
Princesa Matilde
Em 1870, nascia no bucólico Castelo de Ebenthal, na Caríntia, o quarto filho dos Duques de Saxe, o Príncipe Luís. Uma criança esperada, bela e saudável, que foi batizada pelo Conde d’Eu e pela Princesa Dona Isabel do Brasil, que mais tarde viria a se casar com a Princesa Matilde da Baviera, filha do Rei Luís III e tia da Princesa Dona Maria (1914-2012), de jure Imperatriz do Brasil.

Apesar de toda a comodidade e fausto, a precariedade do sistema sanitário abalava os grandes centros de todo o mundo. Viena, onde os Duques de Saxe residiam parte do tempo em que estavam na Europa, era uma metrópole cultural muito famosa, berço de Schubert e dos Strauss, era também reconhecida pelas artes dos mestres da Academia, além da bela arquitetura, como demonstra a Catedral de Santo Estevão e o Palácio de Schönbrunn. A Cidade dos Músicos, como sempre foi conhecida a capital austríaca, atraia gente de todas as partes do mundo e, com este fluxo, também emergiam as doenças. Com estas mazelas, as populações eram dizimadas por febres, infecções e outros vírus, que sem tratamento adequado e os parcos recursos da época, tornavam-se letais. Bom exemplo foi a febre tifoide, uma moléstia infectocontagiosa, extremamente perigosa, que debilitava as vítimas em pouco tempo. Não foi diferente quando a Princesa Dona Leopoldina contraiu a doença. O mesmo mal que acabou por levar o compositor austríaco Franz Peter Schubert, em 1828, e depois o tio do marido de Dona Leopoldina, o Príncipe Alberto – Consorte da Rainha Vitória da Grã-Bretanha, em 1861, acabou por levar a Princesa.


Aos 24 anos de idade, casada há 6 e com quatro filhos na tenra idade, depois de muito sofrer as agonias da doença, faleceu no Palácio de Coburgo, em 7 de fevereiro de 1871. A Família Ducal de Saxe se encerrou num grande luto, assim como a Corte de Viena e os Imperadores, que decretaram luto de 17 dias. O Núncio Apostólico em Viena, que viria a ser mais tarde Cardeal da Santa Igreja, Monsenhor Mariano Falcinelli Antoniacci, foi o encarregado dos ofícios fúnebres da Princesa, que muito bem conhecia por ter estado no Brasil como Inter Núncio entre os anos de 1858 e 1863. Às cerimônias comparecerem membros de diversas Casas Reais e, sobretudo, a irmã e o cunhado da falecida, a Princesa Dona Isabel e o Conde d’Eu, que haviam viajado à Europa e chegaram a tempo de presenciar os últimos momentos de Dona Leopoldina. Foi enterrada na Cripta da Igreja de Santo Agostinho, em Coburgo. 

Túmulo de Dona Leopoldina

É fácil imaginar o quão conturbado foi este período na vida da Família Imperial. O Duque de Saxe padeceu de grande tristeza e nunca mais casou. Na época, o pequeno Dom Pedro Augusto contava com 4 anos, Dom Augusto Leopoldo com 3, Dom José com 1 e Dom Luís com apenas 6 meses de idade. A tristeza abateu os amigos e a família. Dom Pedro Augusto nunca conseguiu refazer-se de tão grande consternação. A partir de então, as perdas passaram a ser uma constante na vida deste Príncipe, que com resiliência e fé continuou a viver.

Os Imperadores do Brasil, também muito abalados com a morte da filha, viajaram também para Coburgo para visitar seu túmulo, onde foram recebidos pelo Príncipe Alfredo – Duque de Edimburgo e futuro Duque Soberano de Saxe, pelo genro viúvo – o Príncipe Luís Augusto, pelos netos - Dom Pedro Augusto e Dom Augusto Leopoldo, e pela Duquesa Alexandrina de Baden, casada com Ernesto II, então Duque Soberano de Saxe. O consenso familiar resolveu por levar a cabo as disposições da convenção matrimonial, que citava nos artigos 3º e 4º as obrigações do Duque de Saxe enquanto a sucessão da Princesa Dona Isabel não estivesse bem firmada. Decidiu-se, portanto, que o primogênito e o secundogênito viessem a morar com os avôs no Brasil.

De fato, a Princesa Dona Isabel não havia conseguido engravidar e a situação colocava o Príncipe Dom Pedro Augusto como seu possível sucessor. Mas, depois dar a luz, em 1874, a uma menina natimorta, a Princesa Dona Isabel trouxe ao mundo o Príncipe Dom Pedro de Alcântara em 1875, tendo em seguida os Príncipes Dom Luís, em 1878, e Dom Antonio em 1881.

Em 30 de março de 1873, o Imperador Dom Pedro II e a Imperatriz Dona Teresa Cristina, acompanhados dos netos Dom Pedro Augusto e Dom Augusto Leopoldo, além do genro – o Duque de Saxe, desembarcaram no Rio de Janeiro. Era o início de uma nova vida para os pequenos órfãos. 

O pequeno Dom Pedro Augusto

Muito inteligente, Dom Pedro Augusto, já aos 9 anos, pôde aproveitar, sem nenhum privilégio, dos benefícios implantados por seu avô, o Imperador do Brasil. Foi matriculado no Colégio Pedro II, grande referencial da educação no Brasil e de lá saiu, em 1881, bacharel em Ciências e Letras. Seguiu seus estudos na Escola Polytechnica do Rio de Janeiro, fundada em 1792, como a primeira instituição de ensino superior do país e que serviu de celeiro de professores para as demais faculdades que surgiriam. Foi lá que Dom Pedro Augusto se graduou como Engenheiro Civil em 1º de abril 1887. Enquanto o irmão – Dom Augusto Leopoldo, aproximava-se da Marinha de Guerra, para fazer carreira como o avô – o Príncipe Luís, e o próprio pai, Dom Pedro Augusto preferiu seguir o outro avô – Dom Pedro II. O Imperador, dedicado a educação dos netos, transferiu a eles o gosto pelos estudos, pelas ciências e pelas artes. Dom Pedro Augusto em quase tudo parecia com este avô Imperador. Eram sempre vistos juntos, compartilhando livros, histórias e impressões.      


Depois de formar-se Engenheiro, Dom Pedro Augusto passou a residir no palacete de seus pais, na Rua Duque de Saxe (atual Rua General Canabarro), em companhia do irmão Dom Augusto Leopoldo. Este, por sua entrada na Escola Naval e o serviço como Oficial da Armada Imperial, pouco permaneceu na residência. O Palacete Leopoldina, como passou a ser conhecida a antiga casa de José Bessa, foi adquirido pelos Duques de Saxe, logo depois do casamento. Era uma agradável vivenda que contava com um grande terreno, acrescido de um lago e um belo jardim. A casa principal era um imenso pavilhão e contava com muitos cômodos. O terreno contava ainda com duas casas sobressalentes que foram ocupadas pelo pessoal de serviço dos Príncipes. Assim que foi adquirida, os Duques de Saxe empreenderam uma considerável reforma no casarão. Tapeçarias, louças, baixelas e objetos de arte vieram da Europa, tendo pagado, os ilustres moradores, tanto pelo translado comercial, quanto pelas altas tarifas alfandegárias. Os belos móveis foram executados, principalmente, por mestres brasileiros.  Quando Dom Pedro Augusto foi morar no Palácio, teve que empreender muitas melhorias, pois, apesar do devotamento do abegão Guilherme Wagner, o prédio não era habitado há mais de 15 anos. O Príncipe adquiriu obras de renomados pintores brasileiros, incorporou aos jardins várias espécies da flora nacional e revitalizou a antiga propriedade. 

A Família Imperial reunida

Numismata, filatelista e mineralogista, Dom Pedro Augusto reuniu no Palácio grandes coleções que eram admiradas pelos estudiosos, chegando a publicar trabalhos de pesquisa e ensaios profissionais, tidos hoje como livros raros. Patriótico e atento às questões nacionais, fez de sua casa um centro cultural informal, onde se discutia a literatura, as artes, as ciências, a economia e, claro, a política, reunindo gente da cepa de Alfredo d'Escragnolle Taunay -  Visconde de Taunay, Joaquim José de França Júnior, José Antunes Rodrigues de Oliveira Catramby, José Joaquim de Maia Monteiro - Barão de Estrela, e muitos outros. Com as reformas na casa, Dom Pedro Augusto, assim como os tios – a Princesa Dona Isabel e o Conde d’Eu, recebia a todos, e tanto a população, quanto as grandes personalidades da época foram acolhidos no palacete.

Aos 23 anos, Dom Pedro Augusto foi recebido como sócio no prestigiado Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, e, como muito bem notou o Conde de Afonso Celso, “tinha já real merecimento”. O Instituto era motivo de grandes alegrias ao Imperador, que o colocou sob sua “imediata proteção”, participando ativamente das sessões e colóquios ali realizados. Também como o avô, o Imperador Dom Pedro II, Dom Pedro Augusto fazia parte dos quadros do prestigioso Institut de France. Muito distinto, o Príncipe possuía também a Grã-Cruz das Imperiais Ordens do Cruzeiro, de Pedro Primeiro, da Rosa, sendo também agraciado, no mesmo grau, com dignidades estrangeiras, como a Ordem da Torre e Espada de Portugal, de Leopoldo da Bélgica, Ernestina da Saxônia - da Casa Ducal de Saxe, da legião de Honra da França e a de Santo Alexandre da Bulgária.  

Grande incentivador da cultura brasileira, Dom Pedro Augusto defendeu a criação de um Museu de Arte Retrospectiva, para abrigar objetos e documentos da História do Brasil. Sob sua presidência, instalou-se a Sociedade Comemorativa da Independência, que preconizava em seu estatuto, além da criação do museu, a instituição de medalhas comemorativas ao 7 de Setembro, como forma de premiação aos melhores trabalhos científicos sobre temas de interesse nacional. 

Em 1887, Dom Pedro Augusto acompanha Dom Pedro II e Dona Teresa Cristina

Entre 1887 e 1888, durante a terceira viagem do Imperador a Europa, o Príncipe Dom Pedro Augusto foi destacado para participar da comitiva de Dom Pedro II. Era uma viagem para recuperação do Monarca, que padecia de doenças severas que quase o levaram a morte. A comitiva passou por vários países, alcançando principalmente a França, a Itália e a Áustria. Dom Pedro Augusto, que pode rever o pai, os avôs Saxe, os tios e os primos no Velho Continente - com os quais trocava intensa correspondência – lá, dividia-se entre as visitas aos parentes e a assistência ao avô acamado. As anotações da época dão conta que comentava com a avó paterna, a Princesa Clementina, sobre a situação do Brasil e da Europa, mas principalmente sobre o Imperador. Com sua outra avó, a Imperatriz do Brasil, e com o Conde de Motta Maia, médico pessoal de Dom Pedro II, discutia alternativas para a cura do ilustre doente. Mas, depois de grandes eventos no Brasil, incluindo-se a Abolição da Escravatura, o Imperador Dom Pedro II, pela considerável melhora, resolveu retornar ao Brasil com sua comitiva. O escritor Heitor Lyra, na página 64 da obra “História de Dom Pedro II (1825–1891): Declínio (1880–1891)”, de 1977, refere que o "país inteiro o recebeu com um entusiasmo jamais visto. Da capital, das províncias, de todos os lugares, chegaram provas de afeição e veneração”. Era muita alegria na Corte naquele dia 22 de agosto de 1888, pois depois da grande apreensão com relação à saúde do Soberano, enfim ele retornava com vigor à sua pátria.
                                               
Mas, a despeito de toda a alegria, chegava ao Rio, pouco depois do Imperador e de sua comitiva, o comunicado da morte do Príncipe José, ocorrida em 13 de agosto, na Áustria. Triste notícia que mais uma vez abalava a todos, sobremaneira seu irmão, o Príncipe Dom Pedro Augusto. Aos 19 anos desaparecia o jovem Príncipe José, que após contrair uma grave pneumonia, adquirida na Escola Militar de Wiener-Neustadt, acabou por não resistir. Era mais um duro golpe ao Príncipe Dom Augusto Leopoldo, sempre marcado pelas tragédias. Infortúnios que para ele significavam muito, pois tinha, conforme atestam as cartas e diários, um apurado senso de família, amor fraternal e, sobretudo, a carência - da falta de sua mãe, da distância do pai. Foram meses de luto, com poucos eventos sociais e quase nenhuma alegria, finalizados para que pudesse transcorrer, mais a frente e com relativa lentidão, a amargura do exílio, vinda com golpe republicano.

Mesmo abalado, o Príncipe Dom Pedro Augusto quis oferecer um memorável jantar aos Oficiais do couraçado “Almirante Cochrane”, do Chile, em 5 de novembro de 1889. O evento, onde compareceram as maiores autoridades civis, militares e religiosas da capital do Império, tinha o fim exclusivo de agradecer aos chilenos a calorosa recepção que o presidente daquele país proporcionou a Dom Augusto Leopoldo, quando este esteve a serviço em Santiago, navegando no “Almirante Barroso”. Este jantar ocorreu apenas dez dias antes da proclamação da república.  

Em 1889, na casa da Princesa Isabel, em Petrópolis, a Família Imperial se reúne para a última fotografia antes da queda do Império

Em 15 de novembro de 1889, a pequena revolução alavancada pelos positivistas e endossada por um pequeno grupo de militares, acabou com a monarquia no Brasil. Factualmente, os idealistas do positivismo objetivavam a queda da monarquia e, como massa de manobra, utilizaram os militares, que por desentendimentos com o novo Presidente do Conselho de Ministros, pretendiam derrubar apenas o Ministério e não o Império. Uma fatalidade. Essa situação também foi fatal para o Príncipe Dom Pedro Augusto. Era desde pequeno mencionado por pasquins e pelo povo como o neto predileto do Imperador e onde quer que fosse, sua inteligência e porte elegante atraiam a atenção. Era querido por todos. Reunia todas as características de um príncipe de sangue. Por todos os seus dotes, a impressa – já à época sensacionalista e impiedosa, costumava apontá-lo como futuro Imperador, o que de fato, não poderia ocorrer, tendo em vista que a sucessão da Princesa Dona Isabel estava assegurada. Com estas mesmas ideias, foi também insuflado por falsos amigos... Dom Pedro Augusto, pelas perdas tão frequentes e significativas, já na viagem que levaria a Família Imperial para o exílio, acabou por dar sinais de enfraquecimento mental, o que só fez piorar com o falecimento de quase todos os seus entes queridos: a avó – a Imperatriz Dona Teresa Cristina, falecida em 1889; o avô – Dom Pedro II, em 1891; a outra avó – a Princesa Clementina e, sem seguida, o pai, em 1907; o querido irmão – Dom Augusto Leopoldo, em 1922, e os primos Dom Antonio e Dom Luís de Orleans e Bragança e os tios – o Conde d’Eu e a Princesa Dona Isabel, também falecidos nesta mesma época.


Ainda naquele fatídico ano, com as resoluções internas da Casa Imperial do Brasil, na condição de Família não reinante, Dom Pedro Augusto passou a ser o Chefe do Ramo Dinástico de Saxe-Coburgo e Bragança.

No exílio, em 1890, Dom Pedro Augusto de Saxe-Coburgo e Bragança

Vivendo principalmente no Palácio de Coburgo, não reagindo a tratamentos ministrados pelos melhores médicos e cientistas de então, incluindo-se aí o famoso Dr. Sigmund Freud, o Príncipe teve de ser internado numa casa de saúde em Tülln an der Donau, permanecendo lá até o fim de sua vida. Com a queda da monarquia no Brasil e a extinção dos Ducados Ernestinos, sem nenhuma pensão, Dom Pedro Augusto, assim com todos os exilados, passou por dificuldades financeiras e seus procuradores viram-se obrigados a executar, em 25 de abril de 1900, um grande leilão de sua biblioteca. Verdadeiro tesouro estava a venda em Viena, chegando a ser anunciado em jornais da Europa, como sendo o leilão da biblioteca pessoal do Imperador do Brasil.


Em 7 de julho de 1934, Dom Pedro Augusto pode enfim descansar, partindo para a vida eterna. Seu corpo foi depositado, junto as sepulturas de seus pais e irmãos na Cripta da Igreja de Santo Agostinho, em Coburgo. Na lápide de seu túmulo, pode-se ler a inscrição latina PETRUS AB ALCANTARA AUGUSTUS LUDOVICUS MARIA MICHAEL GABRIEL RAPHAEL GONZAGA SAXONIAE COBURGU ET GOTHAE PRINCEPS; SAXONIA DUX NAT, IN CIVITATE FLUMINENSI DIE XIX MARTII MDCCCLXVI JUVENIS PRAECLARIS PRAEDITUS DOTIBUS PRAESERTIM ACUMINE INGENII, PETRI BRASILIAE IMPERATORI NETOS PRAEDILECTUS. IN LAMENTABILI IMPERII OCCASU GRAVI CORREPTUS INFIRMITATE. OBIT PIE IN DOMINO VINDOBONAE DIE VI JULII A.D. MCMXXXIV R.I.P. Com sua morte, sucedendo-o na Chefia deste Ramo Dinástico, o Príncipe Dom Augusto Leopoldo e posteriormente sua filha, a Princesa Dona Teresa Cristina e, atualmente, o filho desta, Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança.

Túmulo de Dom Pedro Augusto em Coburgo

Deixando uma brilhante história a ser lembrada, a biografia de Dom Pedro Augusto de Saxe-Coburgo e Bragança ainda não foi apresentada por completo. Algumas inserções sérias e isentas sobre a vida e obra do Príncipe foram feitas por Clado Ribeiro de Lessa e Carlos Wehrs nas Revistas do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, mas é seu sobrinho-neto, Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança, legitimo representante das tradições deste ramo da Família Imperial, que conta através de suas palestras, ensaios e livros, algumas interessantes notas sobre seu tio-avô. Dom Pedro Augusto, por seu patriotismo e abnegação, bem merece uma biografia fora da ficção e do romance, que atente para a realidade dos fatos. Maior justiça ainda seria feita com a transladação de seus restos mortais, assim como o de seus pais e irmãos, para o Brasil, a serem depositados em um mausoléu ou panteão à altura daqueles que tanto fizeram por sua pátria e jamais poderão ser relegados ao esquecimento. 

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Referências bibliográficas:

Lessa, Clado Ribeiro de. O Segundo Ramo da Casa Imperial e a nossa Marinha de Guerra, in Revista do Instituto Histórico e Geografico Brasileiro, vol. 211, 1951.

Bragança, Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e. A Princesa Leopoldina, in Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, vol. 243, 1959.

Bragança, Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e. As Visitas de Dom Pedro II a Coburgo, in Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, vol. 272, 1966.

Bragança, Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e. Príncipe Dom Pedro Augusto de Saxe-Coburgo e Bragança e o "Leilão em Viena", in Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, vol. 422, 2004.

Bragança, Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e. Palácio Leopoldina, in Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, vol. 438, 2008.

Figueiredo Junior, Afonso Celso de Assis. Palavras do Conde de Affonso Celso sobre o falecimento do sócio honorário Dom Pedro Augusto de Saxe-Coburgo, in Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, vol. 169, 1934.

Patrimônio do Príncipe Dom Pedro Augusto de Saxe-Coburgo e Bragança, Typografia do Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1891.

Bragança, Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e. A Intriga: Retrospecto de Intricados Acontecimentos Históricos e Suas Consequências no Brasil Imperial. Editora Senac. São Paulo, 2012.

Bragança, Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e. Dom Pedro II na Alemanha: uma amizade tradicional. Editora Senac. São Paulo, 2014.

domingo, 22 de junho de 2014

Família Imperial do Brasil e os Reis da Bélgica em evento no Rio de Janeiro

Foi reinaugurada no Rio de Janeiro, a Avenida Rainha Elisabeth, que liga Copacabana a Ipanema.


Em cerimônia no dia 21 de junho, o Rei Filipe e a Rainha Matilde da Bélgica reinauguraram a Avenida e descerraram a placa que homenageia sua bisavó, a Rainha Elisabeth, Rainha da Bélgica de 1909 a 1965, localizada sob o busto do Rei Alberto I, na mesma via.

Dom Antonio e Dona Christine são recebidos pela primeira dama do Estado do Rio de Janeiro, Sra. Maria Lucia Horta Jardim

Sob os olhares atentos dos primos - Dom Antonio e Dona Christine (atrás) - o Rei e a Rainha da Bélgica recebem os cumprimentos da população

O busto do Rei Alberto I

Os atuais Soberanos belgas colocam flores sob a estátua do Rei Alberto I da Bélgica


O Rei Alberto I e a Rainha Elisabeth estiveram no Brasil em 1920 e, com esta viagem, contribuíram substancialmente com o desenvolvimento e crescimento do Brasil, defasado com a república. Foi através desta viagem, por exemplo, que se originaram várias empresas especializadas em mineralogia e também algumas das casas de caridade, que já naquela época assistiam os carentes vitimados pelo novo regime. Os cariocas, para homenagear o casal real, deram o nome da importante Avenida à Rainha e um busto ao Rei.

Compareceram à reinauguração, os primos dos Soberanos belgas, o Príncipe Dom Antonio e a Princesa Dona Christine de Orleans e Bragança, representando a Família Imperial do Brasil. Dona Christine, nascida Princesa de Ligne, das Casas mais antigas e nobres da Bélgica, para qual foi oferecida o Trono daquele país ainda no século XIX, cresceu juntamente com os Príncipes da Bélgica, tendo grande amizade com os Monarcas. Dom Antonio, da mesma forma, sendo primo e gozando das mesmas dignidades da Família Real da Bélgica, teve, junto com seus pais e irmãos, o prazer de receber, várias vezes, o Rei Filipe, ainda enquanto Príncipe, no Brasil.

O evento de reinauguração contou com a organização do Consulado da Bélgica no Rio de Janeiro, através do Consul Bernard Quintin, e do Governo do Estado. Presentes o Ministro das Relações Exteriores da Bélgica, o corpo Consular, a primeira dama do Estado, Sra. Maria Lucia Horta Jardim e autoridades do Estado, Munícipio, além da população, que acompanhou com alegria o ato.       

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Imagens: Lu Lacerda, Agência Brasil, GERJ e Arquivo do Blog Monarquia Já

A superioridade da Monarquia


Em sua Proclamação, no dia 19 de junho de 2014, o Rei Don Felipe VI da Espanha deixou calara a superioridade da monarquia comparada a qualquer outra forma de governo:

Em espanhol

La independencia de la Corona, su neutralidad política y su vocación integradora ante las diferentes opciones ideológicas, le permiten contribuir a la estabilidad de nuestro sistema político, facilitar el equilibrio con los demás órganos constitucionales y territoriales, favorecer el ordenado funcionamiento del Estado y ser cauce para la cohesión entre los españoles

S.M. el Rey Don Felipe VI

Madrid, 19.6.2014

Em português

A Independência da Coroa, sua neutralidade política e sua vocação integradora ante as diferentes opções ideológicas, permitem-na contribuir com a estabilidade do nosso sistema político, facilitar o equilíbrio com os demais órgãos constitucionais e territoriais, favorecer o ordenado funcionamento do Estado e ser a base para a coesão entre os espanhóis.  

S.M. o Rei Don Felipe VI

Madri, 19.06.2014

Na Espanha, os monarquistas fizeram uma comparação sobre os gastos dos governos republicanos e monárquicos: 



O Rei Católico Don Felipe VI da Espanha

A despeito da triste crise de fé e moral que abala não só a Espanha, mas todo o mundo, na tarde de domingo, 22 de junho de 2014, celebrou-se na Capela Real do Palácio da Zarzuela, Santa Missa de Ação de Graças pela ascensão de Don Felipe VI ao Trono espanhol.   

Don Felipe, ainda Príncipe das Astúrias, recebendo sua primeira Comunhão
Imagem: divulgação


Sofrendo fortes pressões da ala republicana, comunista e socialista, o Governo optou por cumprir a risca o que manda a Carta Magna, com relação o caráter laico da Chefia de Estado e de Governo. No entanto, manifestando seus interesses e inclinações, Don Felipe VI se mantem como Rei Católico e Defensor da Fé, prerrogativa a que os Soberanos da Espanha tem direito desde a união do Reino no século XV, com o casamento dos Reis Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela. Ainda como forma de manifestar sua fé e colocar seu Reino aos serviços da Santa Igreja, Don Felipe anunciou que no próximo dia 30 fará sua primeira visita oficial como Rei da Espanha, tendo como destino o Vaticano.

 Don Felipe e Dona Letícia, em trajes formais - conforme previa o belo cerimonial pontifício, em audiência com São João Paulo II
Imagem: divulgação 

Don Felipe cumprimenta S.S, o Papa Francisco em Missa Solene no Vaticano
Imagem: divulgação

A Rainha Letícia faz reverência ao Cardeal Arcebispo de Madri, S.E., Don Antonio María Rouco Varela
Imagem: divulgação


A Santa Missa no Palácio da Zarzuela foi celebrada pelo Arcebispo de Madri, S.E., o Cardeal Don Antonio María Rouco Varela e pelo  Arcebispo Castrense, S.E.R. Don Juan del Río, na presença do Rei Don Felipe, da Rainha Dona Letícia, e dos antigos Soberanos Don Juan Carlos e Dona Sofia, além de outros membros da Casa Real Espanhola.  

Ainda em 19 de junho, dia da Proclamação do Rei Don Felipe VI, o Arcebispo de Toledo e Primaz da Espanha, em Missa Solene, pediu orações ao novo Rei, como relata a íntegra de sua homilia (em espanhol):

Homilía del Sr. Arzobispo en la Santa Misa en la Catedral Primada

Toledo, 19 de junio de 2014

Mis respetos y mi saludo a cuantos hoy celebráis en el Rito Hispano-Mozárabe la hermosa liturgia del Santísimo Cuerpo de Cristo; el amor del Señor en este día va sobre todo para los enfermos y mayores que conectáis con la Catedral por radio y televisión: os tenemos presentes y oramos por vosotros. Hoy es un día grande para España y pido oraciones por nosotros y por el Rey.

La Palabra de Dios es muy breve en esta Misa; pero la Escritura es siempre jugosa y nos deja ese olor a pan recién hecho, como gustaba decir san Francisco. Precisamente los Proverbios de Salomón hablan de cómo la Sabiduría del Padre, que es el Hijo, ha edificado su casa, ha labrado siete columnas, ha sacrificado víctimas, ha mezclado el vino y ha preparado la mesa. Sí hermanos, Dios tiene dispuesto un banquete, y ha enviado a sus criados a anunciar en los puntos que dominan la ciudad: "Venid aquí los inexpertos"; y a los faltos de juicio les dice: "Venid a comer de mi pan, a beber el vino que he mezclado; dejad la inexperiencia y viviréis, seguid el camino de la inteligencia".

Si tuviera que destacar en los libros de la Sagrada Escritura una imagen para expresar el amor salvador a los hombres y mujeres, esta imagen bien podría ser la del banquete preparado -para la boda de su Hijo se explícita en el NT- y la invitación insistente a que todos vengan a festejar semejante alegría. ¡Qué impresionante! Sin duda que nosotros, jóvenes siempre inexpertos e imprudentes, podemos rechazar semejante fiesta y banquete. Pero entonces no tendremos el gozo de quien encuentra a Cristo, ni encontraremos la vida ni el favor del Señor. Eso sí, Cristo siempre dirá: dichosos el hombre y la mujer que me escucha. La invitación sigue. Seguirá siempre abierta.

Nosotros, pues, no hacemos más que recibir una tradición, que procede de Jesús, y que transmitimos al mundo y la siguiente generación cristiana: "Que el Señor Jesucristo, en la noche en que iba a ser entregado, tomó pan y, pronunciando la Acción de Gracias, lo partió y dijo: Esto es mi cuerpo, que se entrega por vosotros. Haced esto en memoria mía. Lo mismo hizo con el cáliz, después de cenar, diciendo: Este cáliz es la nueva alianza en mi sangre; haced esto cada vez que lo bebáis, en memoria mía". Es lo que ha proclamado el lector hace breves momentos.

Esta memoria o memorial de Jesús no es algo trivial. Bien lo saben los que desgraciadamente profanan la Eucaristía robando sagrarios o esparciendo formas consagradas. No. Es la fuerza del amor de Cristo que nos urge, nos juzga y nos saca de nuestro interés y desamor. Es el signo perenne del amor de Dios, tantas veces desconocido, ignorado al no apreciarlo. Este Cristo es el mismo que está en el más pobre, en el que sufre, al que nos acercamos, porque, si en este mundo no hay caridad y atención al ser humano en su totalidad, de poco valen tantos esfuerzos por procurar buena economía, como tampoco tanto gritar cambios antisistema sin comenzar a cambiar personalmente ni acercarse a la realidad de cada día.

No aprovechar la fuerza que tiene este Cristo, pan y vino para la vida del mundo, significa no tener en cuenta la carne que es verdadera comida y la sangre que es verdadera comida del que ha sido enviado por el Padre de los cielos, que vive por el Padre. Quiero decir que resolver el hambre y la sed de los hombres no termina con solucionar problemas de necesidad humana perentoria. Sin duda esta preocupación es muy importante; pero somos los hombres y mujeres sujetos de muchas necesidades: los humanos somos también ansias de gozo, deseos de justicia, ganas de belleza y armonía, búsqueda de la fraternidad. "El que me come vivirá por mí".

A lo largo de la historia, Jesús ha llamado siempre la atención de los humanos; desde los discípulos de Emaús, muchos han advertido hacia aquel hombre misterioso una extraordinaria atracción, y lo invitaron a quedarse con ellos. Jesús aceptó y entró en su casa. Y cuando estando en la mesa bendijo el pan y lo partió, ellos le reconocieron. Pero también reconocieron que en realidad era Él quien les invitaba al Banquete de un pan partido para la vida del mundo.

"Roguemos para que todo cristiano, reviviendo la experiencia de los discípulos de Emaús, especialmente en la Misa Dominical, redescubra la gracia del encuentro transformante con el Señor, con el Señor resucitado, que está con nosotros siempre. Hay siempre una Palabra de Dios que nos guía en vuestra desorientación; y un Pan partido que nos hace seguir adelante" (Papa Francisco, Regina Coeli, 4 de mayo 2014).

quinta-feira, 19 de junho de 2014

A Espanha tem um novo Rei

Reconhecimento popular
Imagem da comunidade "Si queremos a Felipe VI" da rede social Facebook


Os espanhóis tem um novo Rei. Em cerimônia no Parlamento e sob forte aclamação popular, o Príncipe das Astúrias foi proclamado Rei Felipe VI da Espanha.

Don Juan Carlos I, grande paladino da democracia, passa a faixa de Capitão General ao filho e sucessor, Don Felipe VI 


Dona Letícia e as Infantas ouvem o discurso do novo Rei 


A Família Real Espanhola no balção do Palácio Real

Do balcão do Palácio, a Família Real é aclamada pelo povo


Jovens monarquistas espanhóis comemoram as festas com apliques exclusivos em camisetas e blusas 


Cedendo as pressões políticas da pequena – mas perigosa – ala republicana, de esquerdistas e de comunistas, que fizeram Dom Juan Carlos I abdicar, o protocolo real optou por não incluir no cerimonial a tradicional Santa Missa que antecede há séculos as coroações e proclamações na Espanha. Uma demonstração clara da chamada Cristofobia que se vive hoje. Anteriormente, as pressões violentas, oriundas ainda dos revolucionários franceses, já haveriam de impedir a realização das cerimônias de coroação, ficando a Coroa e o Cetro relegados, como mera figura simbólica, num nicho próximo ao Trono. Os espanhóis se perguntam se estes mesmos revolucionários terão a coragem de retirar a cruz que encima a Coroa, os brasões e a bandeira da Espanha...



Com a proclamação de Don Felipe como Rei da Espanha, sua filha, a Infanta Dona Leonor, de 9 anos, passa a ser a Princesa das Astúrias e Herdeira do Trono da Espanha.

O site da Casa Real da Espanha, através dos arquivos multimídias, traz vídeos e imagens sobre as cerimônias ocorridas em Madri.  

Vista geral do Parlamento no momento da proclamação do Rei Felipe VI


O Blog Monarquia Já saúda o Rei Don Felipe VI e o povo Espanhol.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Agende-se: o XXIV Encontro Monárquico será em setembro


A maior reunião monarquista do Brasil já tem data para acontecer. O XXIV Encontro Monárquico foi anunciado pela assessoria da Casa Imperial do Brasil e será realizado no mês dedicado à Pátria.

O programa inicial informa que no dia 6 de setembro, durante todo o sábado, será realizado XXIV Encontro Monárquico, no Windsor Flórida Hotel, no Flamengo e, no dia posterior – 7 de setembro - domingo, ocorrerá a tradicional Santa Missa pelo 76º aniversário de S.A.I.R. o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, na Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, seguido de almoço comemorativo da data, no mesmo hotel. O programa completo será divulgado em breve pelo Pró Monarquia e transcrito no Blog Monarquia Já.


Participe e ajude a reconstruir a dignidade do Brasil. 

18 de junho: Proclamação de Felipe VI, Rei da Espanha

O Príncipe das Astúrias, Don Felipe, será proclamado Rei nos dias 18 e 19 de junho de 2014. A cerimônia ocorrerá em Madri e será acompanhada por milhares de pessoas.


Acompanhe o cerimonial divulgado pelo Palácio Real:

18 DE JUNHO

18h00 – ATO DE ABDICAÇÃO – O Rei Juan Carlos I assinará o documento oficial, no Palácio da Zarzuela, que reconhecerá o Príncipe Felipe como novo Rei.

9 DE JUNHO

9h30 – CAPITÃO GENERAL - O Rei Juan Carlos passará a faixa de Capitão-General ao Rei Felipe VI no Palácio da Zarzuela.

10h – PARLAMENTO - O Rei Felipe VI e a Rainha Letizia, acompanhados da Família Real, com exceção de Dom Juan Carlos e Dona Sofia, seguirão para Parlamento.

10h30 – PROCLAMAÇÃO – O rei e a Família Real serão saudados pelos membros do Parlamento, das intuições nacionais e demais representantes do povo, sendo proclamado Rei Felipe IV da Espanha. Ainda no Parlamento o Rei fará um discurso e será homenageado com um desfile militar.

11h30 – ACLAMAÇÃO POPULAR - O Rei e a Rainha, acompanhados pelas filhas, seguirão para o Palácio da Zarzuela em carro aberto sendo saudados pela população.


13h – RECEPÇÃO – A Família Real da Espanha saudará a população do balcão central do Palácio Real e oferecerá uma recepção para convidados.

Realeza na Copa do Mundo 2014

Apesar de todas as vergonhas impostas pela república e o despreparo geral, durante o período da Copa do Mundo, entre os meses de junho e julho, o Brasil receberá a visita de 21 Chefes de Governo e de Estado que virão prestar apoio as Seleções dos seus respectivos países. 

Dentre as 21 autoridades, estão incluídos o Rei Willem Alexander e a Rainha Máxima da Holanda, o Rei Filipe e a Rainha Matilde da Bélgica, o Príncipe Albert II de Mônaco, o Emir Tamin Bin Hamad al-Thani do Catar e o Príncipe Harry de Gales, representando o Reino Unido da Grã-Bretanha. 

O Rei e a Rainha da Holanda desembarcam no dia 18 de junho em Porto Alegre 

O Rei a e Rainha da Bélgica chegam no dia 22 de junho

O Príncipe Albert II de Mônaco está no Brasil desde 15 de junho

O Príncipe Harry vem ao Brasil na terceira semana do mundial e visita Brasília, Amazonas e São Paulo

Emir do Catar: no Brasil desde a abertura da Copa

A Copa não é mais deles!

O Blog Monarquia Já tem a honra de transcrever o artigo do destacado monarquista e analista político José Carlos Sepúlveda da Fonseca, em seu blog Radar da Mídia, sobre a Copa do Mundo 2014:

A Copa não é mais deles!


Por José Carlos Sepúlveda da Fonseca

Inicia-se, neste dia 12 de junho, a Copa do Mundo. Realizada no Brasil – corriqueiramente designado país do futebol – a Copa deveria comportar, naturalmente, uma euforia contagiante.

Entretanto, os sentimentos são contraditórios entre os brasileiros. Junto a uma natural alegria e expectativa, a população parece ao mesmo tempo envolta por certa perplexidade, motivo pelo qual, até agora, não são muitas as bandeiras e as manifestações exteriores que habitualmente marcam o ambiente pré-Copa, tanto mais sendo esta realizada em território nacional.

Da apoteose ao pesadelo

Muito se tem dito e escrito a respeito desta Copa do Mundo e não é minha intenção debruçar-me aqui sobre temas já muito batidos, como, por exemplo, os inexplicáveis e faraônicos gastos envolvidos na preparação da mesma.

Gostaria apenas de fazer uma reflexão e tentar apontar o motivo pelo qual, para o PT – mais precisamente para Dilma e seu mentor, o ex-presidente Lula – a grande e anunciada apoteose da Copa se tornou um verdadeiro pesadelo.

Pesadelo, sim. Ou será por acaso que, neste momento, quem tenta de todos os modos convulsionar o ambiente da Copa do Mundo, com greves abusivas, com invasões de terrenos urbanos, com mobilizações de índios (reais ou fictícios), com queima de ônibus, são precisamente os “movimentos sociais”, os sindicatos e os grupelhos (estilo black blocs) incentivados e financiados pelo governo petista?

São eles que tentam mergulhar o País num clima de apreensão, de angústia e de incerteza, estragando a própria festa do futebol e denegrindo a imagem do Brasil no Exterior.

Recordar é viver

Ensina o velho provérbio português que “recordar é viver”. Permitam-me, pois, recordar algumas circunstâncias prévias à realização desta Copa.

Voltemos ao final de outubro do ano de 2007. Num clima de euforia, a imprensa anunciava aos quatro ventos: “a Copa do Mundo é nossa”! Todos os vinte membros do Comité Executivo da Fifa tinham votado a favor da candidatura do Brasil.

Ao anunciar a sede de 2014, Joseph Blatter salientara que o país que produziu os melhores jogadores do planeta teria o direito agora de sediar a Copa do Mundo.

Luís Inácio Lula da Silva, então Presidente, encabeçava a delegação brasileira presente na sede da Fifa, em Zurique. Após receber a taça da Copa do Mundo das mãos de Blatter, Lula afirmara, num tom de indisfarçável ufanismo, que o Brasil realizaria uma das maiores Copas de toda a história.

A euforia se espalhava e tudo parecia encaixar-se, como uma luva, no plano político de Lula.

Rumo ao terceiro mandato

Pela inoperância e condescendência de considerável parte da chamada oposição, Lula conseguira livrar-se do escândalo do Mensalão, e ser reeleito em 2006.

Estava, pois, no seu segundo mandato: a situação econômica era estável, devido, entre outras razões, a uma bonança externa, e a uma alta taxa de juros que atraía grandes fluxos de capitais especulativos; o dólar baixava, o risco Brasil caía.

De outro lado, o PT acentuava o aparelhamento do Estado e a política externa era cada vez mais submissa aos interesses ideológicos dos países bolivarianos, com a Venezuela de Chávez à cabeça.

Pouco tempo antes da escolha da Fifa, começavam os primeiros rumores e manobras políticas para um terceiro mandato de Lula, que abordei neste blog mais de uma vez. Havia até acenos petistas para uma reforma constitucional. A possibilidade do terceiro mandato acenava, a longo prazo, para uma vitaliciedade de Lula no poder, ao estilo de Hugo Chávez.

A Copa do Mundo estava, pois, calculada para ser um grande evento, de repercussão mundial, que consagrasse a permanência no poder do caudilho petista.

Tudo seria grandioso. Haveria investimentos em infra-estrutura, estádios faraônicos, o famoso trem-bala e até mesmo o jogo inaugural da Copa teria seu significado mais profundo nesta apoteose lulo-petista. A abertura da Copa do Mundo, no Itaquerão, fazia parte, a meu ver, do ufanismo que seria criado em torno da imagem de Lula, o “pai dos pobres”, o qual, segundo as lendas farta e generosamente divulgadas pela mídia internacional, resgatara milhões de excluídos das periferias, com seus programas sociais.

Percalços do lulo-petismo

Entretanto, os planos lulo-petistas desandaram. As tentativas do então presidente Lula de um terceiro mandato esbarraram na resistência ponderável de setores importantes da sociedade. E Lula teve de contentar-se com o “poste”, como ele mesmo chegou a designar a então candidata à presidência, Dilma Rousseff.

A postura da oposição, sempre sofrível e condescendente, viabilizou um terceiro mandato do PT. Muitos ingênuos ou mal-intencionados elogiavam a presidente eleita como “gerentona”, a mulher que faria uma devassa na corrupção, e que ao mesmo tempo – se me permitem o neologismo – desideologizaria a diplomacia, a política interna, econômica, etc.

Mas Lula continuava a dar as cartas. O projeto intervencionista e estatista foi-se configurando, cada vez mais. E os tiques bolivarianos, acentuando-se.

A Copa do Mundo, como grande espetáculo do lulo-petismo, começava a periclitar.

Manifestações de junho

As manifestações de junho do ano passado vieram mudar definitivamente o panorama político do País. Como tive oportunidade de expor, em palestra proferida em Fortaleza, o movimento que dera início às manifestações, dirigido por grupelhos de esquerda – como o Passe Livre – mancomunados com o governo, pretendia dar um golpe nas instituições e na Constituição, e instaurar a “democracia das ruas”. O próprio discurso da presidente, na época, e suas manobras políticas na tentativa de uma Constituinte específica para a reforma política, desvelavam essa intenção.

Mas o movimento inicial foi ultrapassado por um transbordar de mal estar – até então silencioso e difuso – que levou às ruas de todo o Brasil milhões de pessoas, num inequívoco sinal do desgaste do projeto político do PT, em amplas camadas da população.

Desde então, esse desgaste não fez senão aumentar e, a realização da Copa do Mundo se dá, precisamente, no momento em que o mesmo chega a seu auge.

A Presidente, em suas andanças pelo País, na campanha eleitoral antecipada, recebe vaias por toda a parte e de todo o tipo de público; o “Fora Dilma e leve o PT junto” se tornou recorrente.

Apesar de quererem ver a Seleção brasileira vitoriosa, muitos se sentem envergonhados por todas as manobras de baixa política e pela gastança a que a Copa deu azo; e outros chegam até a torcer contra, para que o governo petista seja prejudicado.

A Copa não é mais deles!

É por este motivo que a grande e anunciada apoteose da Copa do Mundo, em favor do lulo-petismo, se transformou num pesadelo. Lula que sonhara com aclamações pessoais e de seu projeto político, assistirá aos jogos em casa. Dilma Rousseff, que contava com a Copa do Mundo como passo para sua reeleição, receosa de uma vaia no Estádio na cerimônia de abertura, antecipou seu discurso, fazendo-o em cadeia nacional de rádio e televisão, tentando defender seu governo, com uma série de imprecisões e falsidades, logo desmascaradas pela mídia.

É por este motivo que a máquina lulo-petista põe sua tropa de choque (sindicatos, movimentos sociais, etc.) para tentar tumultuar o evento de todas as formas.


É por este motivo também que a Copa não é mais deles!

ATENÇÃO


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