IHGB pública resenha do Professor Antonio Alexandre Bispo sobre o livro "A Intriga", de Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança
Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança é um dos mais destacados estudiosos da História do Brasil e desde sua juventude vem se notabilizando como um escritor de excepcional qualidade, prova disso é o prêmio 8º Conde dos Arcos, que lhe foi conferido pela Academia Portuguesa de História, como reconhecimento ao brilhante trabalho realizado na obra “Princesa Flor – Dona Maria Amélia, a filha mais linda de D. Pedro I do Brasil e IV do Nome de Portugal”, de 2009. Ainda no rol de grandes obras, destaca-se o livro “A Intriga – Retrospecto de Intricados Acontecimentos Históricos e suas Consequências no Brasil Imperial”, de 2012, que mereceu uma resenha de Antonio Alexandre Bispo, professor da Faculdade de Filosofia da Universidade de Colonia, na Alemanha, transcrita pela Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, nº 466 (págs. 265/266), que segue:
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Dom Carlos, durante o lançamento de sua obra "A Intriga". |
BRAGANÇA, Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e. A Intriga: Retrospecto de intricados acontecimentos históricos e suas consequências no Brasil Imperial. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2012, 383 p.
Balanços e prospecções. São Paulo: A Intriga: obra de extraordinária relevância da produção editorial. Às vésperas do término de 2013, cumpre que se saliente uma publicação recente que, diferentemente do que o seu título, subtítulo e forma de expressão possam sugerir, revela-se como imprescindível, não apenas pelas fontes que oferece, como também pelas novas perspectivas que abre à análise de processos político-culturais: Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança, A Intriga: Retrospecto de intricados acontecimentos históricos e suas consequências no Brasil Imperial, São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2012, 383 p., ilustr., anexos, bibliografia, índice onomástico (ISBN 978-85-396-0190-5).
O autor, formado no Colégio Santo Ignácio e na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, dedicou-se, para além de suas atividades empreendedoras e diretivas na agricultura e na indústria, no Paraná e em São Paulo, a estudos históricos que levaram a muitas publicações que se concentram tematicamente sobretudo à época do Império brasileiro.
Para além dos acervos da família, o autor baseia-se nesta obra em trabalhos realizados em grande número de arquivos brasileiros e europeus. Trata-se, assim, de uma obra fundamentada, de rigor científico, que considera vastíssima documentação original, e que não pode ser tomada
como simples romance histórico destinado apenas
a trazer à luz de forma aliciante intrigas internacionais à época das
negociações de casamento das princesas Isabel e Leopoldina, filhas de Pedro II.
A forma da narração não pode dar margem a mal-entendidos, e a discreta
contenção de convencionalismos do eruditismo acadêmico em linguagem com valores
literários que conquistam o leitor abre as portas a um público maior,
possibilitando de forma empática e mesmo impercebida transformações de visões,
interpretações e paradigmas.
Também a discreta sugestão de que o livro trata de um retrospecto de acontecimentos históricos e suas consequências no Brasil Imperial não pode ofuscar a consciência de que aqui se trata de uma publicação de excepcional potencial crítico e mesmo implosivo na consideração de processos históricos, de consequências que muito ultrapassam o período encerrado pela República. A obra revela-se como sendo de grande atualidade, esclarecedora e a serviço de amplo esclarecimento, uma contribuição fundamental em época que intuitos ainda que bem intencionados de reconsideração e mesmo revalorização do passado monárquico no Brasil mesclam-se de forma por demais indiferenciada com sentimentalismos nostálgicos, pieguieces e mesmo obscuros reacionarismos de fundamentação religiosa. A obra de Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança não é neste sentido de significado apenas para a história do Brasil, mas também para os estudos europeus, decorrência não só da internacionalidade própria do tema tratado, mas também pelas suas consequências para a interpretação histórica de processos nas suas implicações atuais, surgindo também aqui como contribuição a esclarecimentos e a um espírito esclarecedor nos estudos culturais.
*O autor é Doutor em Antropologia Cultural pela Universidade de Colonia (Alemanha). Professor da Universidade de Colonia. Presidente da Academia Brasil-Europa.
Acesse no site da Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasil
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