domingo, 9 de agosto de 2009

Dom Nuno Álvares Pereira

A seguir transcrevo uma parte do trabalho que desenvolvi no curso de Relações Internacionais, na disciplina de Ciência Política, essa postagem também abre a discussão sobre Casas Reais e monarquia estrangeiras, falaremos de São Nuno de Santa Maria, recem canonizado:

O Condestável do Reino de Portugal



Pesquisar as origens da dinastia dos Bragança se torna difícil quando se sabe que sua criação data da primeira metade do século XV e que seus membros desde sempre fizeram parte da história portuguesa, sendo eles responsáveis por episódios dos mais importantes daquele lugar. Descritos poeticamente, com linguagem própria do período e por serem antigos, as descrições são deficientes de data e organização dos fatos.

Contudo, além de tais descrições, preservam-se os relatos que foram passados por gerações e que hoje podem ser escutados em qualquer casa tradicional de Portugal. Dom Nuno Álvares Pereira, reverenciado, beatificado pelo papa Bento XV, agora canonizado por Sua Santidade o Papa Bento XVI, é um dos mais famosos lusos - precursor da dinastia de Bragança - por ser sua filha Dona Beatriz Pereira Alvim, casada com Dom Afonso, 1º Duque de Bragança, 8º Conde de Barcelos e Conde de Ourém, filho do Rei Dom João I de Portugal.


Primeiramente a explanação da vida do Bem-Aventurado Nuno Álvares Pereira é infinita. Quando houver a disposição de fazê-la, será feita apenas pela metade, pois é intransferível à letras o que Dom Nuno representa para o povo português, para compreender sua importância é necessário saber sobre sua vida: Dom Nuno Álvares Pereira nasceu no dia 24 de junho de 1360 no castelo de Bomjardim, em Coimbra. Conhecido na corte desde muito cedo, conta-se que obtivera destaque já aos 13 anos de idade como escudeiro, logo, se sobressaiu na batalha contra os invasores de Castela, numa efetiva participação da construção da nacionalidade portuguesa, na ferrenha luta por garantir o território e livrar as terras em que havia nascido, do domínio castelhano. Quando atingiu a idade de 16 anos achou por bem que deveria casar-se. O fez com Dona Leonor Alvim, uma rica fidalga do Minho, com ele teve uma única filha, a já mencionada Dona Beatriz Pereira Alvim.


Dom Nuno foi armado cavaleiro por Dona Leonor Teles, esposa viúva do Rei Dom Fernando I, que reinou até outubro de 1383. Nesta época e anteriormente, Portugal vivia um período conturbado, justamente pela união de Dom Fernando com Dona Leonor, mulher que muitos consideravam de moral duvidosa e passado enegrecido. Dom Fernando morreu e Dona Leonor tinha o desejo de sagrar-se Rainha de direito, por isso a sucessão desencadeou a revolução de 1385, onde Dom João, meio-irmão de Dom Fernando I, aconselhado por Dom Nuno Álvares Pereira, proclamou-se defensor e governador de Portugal. Já em 1384, ano da invasão castelhana sobre o território de Portugal, o mesmo Dom Nuno Álvares Pereira garantiu com êxito a vitória de sua terra na batalha de Atoleiros, batalha essa que rendeu a aclamação de Dom João ao trono português, com o Rei Dom João I, iniciava-se também a dinastia de Avis. o Rei, então lhe conferiu o título de Condestável do Reino. Prova definitiva de que a história portuguesa confunde-se com a do notável Dom Nuno é o fato de que no ano seguinte ao ano da luta de Atoleiros, Portugal volta a ser invadida por Castela, esta porem, dispondo de efetivo quatro vezes mais numeroso em relação à investida anterior. O Condestável, então tomou frente a seus comandantes, derrotando o povo invasor, numa epopéia que veio a ser conhecida como a batalha de Aljubarrota. E é através também do Condestável, que a paz de 30 de outubro de 1411, foi assinada com Castela.

Muito reverenciado após suas vitórias e feito Conde de Barcelos, de Ourém e Arraiolos pelo Rei, recebeu ainda as terras de Dona Leonor Teles, do amante desta, o Conde de Andeiro, e dos senhores que haviam apoiado Castela. É neste período que Dom Afonso, filho do Rei Dom João I, desposa Dona Beatriz Pereira Alvim, ambos tidos como os primeiros duques de Bragança e progenitores da dinastia bragantina. Em uma breve explanação, pode-se dizer que Dom Afonso foi criado em Leiria, por Gomes Martins de Lemos. Quando seu pai foi aclamado Rei de Portugal e iniciou a política expansiva, Dom Afonso foi bom soldado e serviu à Grei. E pelo casamento com Dona Beatriz, recebeu de seu sogro, grandes riquezas.


No ano de 1415, Dom Nuno também participa da luta contra os mouros na tomada de Ceuta, um dos fatos mais marcantes do reinado de Dom João I, pois se tratava da primeira das possessões de Portugal na África. Uma verdadeira luta para glorificar o reino de sua majestade, doando-se incondisionalmente as causas que considerou justa e digna de seu suor. Mas, assim como ocorre com todos, debilitado pela morte da esposa e depois da filha, ambas tão amadas por ele, o cavaleiro, o Condestável do Reino, o conde, mas principalmente o lutador de muitas batalhas em nome de sua terra, a terra abençoada de Portucalis, que ajudou a transformar no reino de Portugal, despediu-se da vida exterior e foi viver na serenidade de sua fé no convento do Carmo, lá preferia ser chamado apenas de frei Nuno de Santa Maria, morrendo em Lisboa a 1º de abril de 1431.

Deste mesmo Dom Nuno, congregador de muitos poderes, feitos e títulos, nascem por assim dizer os Duques de Bragança e mais tarde os Duques do Cadaval.

A auspiciosa união de Dom Afonso com Dona Beatriz deu inicio em 1442 à casa ducal de Bragança, e tinham na base patrimonial a detenção de todas aquelas terras inicialmente conquistadas e doadas a Dom Nuno Álvares Pereira, e durante anos amealharam muitos bens de valor incalculáveis, enormes riquezas e poder com os títulos de Duques de Barcelos e Guimarães, Marqueses, Condes e Senhores de muitas terras. Além da cidade prospera de Bragança, possuíam mais de 20 vilas das mais importantes do reino. Os Duques de Bragança ainda gozavam do privilégio de serem infantes do reino e do direito de conferir títulos de nobreza.

Dom Fernando II, 3º Duque de Bragança, opositor da política centralizadora do poder real imposta por Dom João II, foi condenado à decapitação pelo rei, que também confiscou seus bens. Porem os Duques posteriores fizeram apenas engrandecer ainda mais o que a família já tinha, acrescentando mais valor e prestigio à Casa Ducal.

Por volta do ano de 1580, o trono português vinculou-se a Espanha, que durante os seguidos 60 anos de domínio implantaram uma política autoritária, pondo em descrédito a palavra do Rei Felipe II, quando estabeleceu que apesar da ocorrência da União Ibérica, ir-se-ia respeitar a autonomia portuguesa. O descrédito na palavra real fez crescer de forma ufana o sentimento nacionalista e territorial dos portugueses. De tal forma, clero e sociedade civil uniram-se em torno do 8º Duque de Bragança, um dos homens mais poderosos de sua época, na tentativa de criar um movimento de restauração portuguesa, juntamente com o apoio de Dom Francisco de Melo. Assim em 1640 sobe ao trono o 8º Duque de Bragança, como Rei Dom João IV, seu primogênito, Dom Teodósio, foi o primeiro Príncipe do Brasil. Os Bragança se mantiveram no trono de Portugal até os últimos dias da monarquia portuguesa e também no trono do Brasil independente, bem como na Chefia das Casas Real e Imperial, daqueles países respectivamente.

Ainda na descendência do Condestável, a genealogia juntamente com a tradição portuguesa diz serem descendentes do 21º Rei de Portugal, os Duques do Cadaval. Primeiramente deve-se atentar para o fato de que o título foi dado a Dom Nuno Álvares Pereira de Melo, descendente do Condestável do Reino - o Bem-Aventurado Dom Nuno Álvares Pereira - pelo Rei Dom João IV (21º Rei de Portugal) em 1648, oito anos após sua coroação. O 1º Duque do Cadaval era filho de Dom Francisco de Melo, herói da Restauração de 1640.

Detalhe dos mias importantes é saber que o 2º Duque de Bragança, Dom Fernando I, foi casado com Dona Joana de Castro, filha de Dom João de Castro, Senhor de Cadaval. É desce matrimônio que nasce Dom Álvaro, quarto filho de Dom Fernando I, 2º Duque de Bragança. Possuindo de tal forma a Casa do Cadaval a mesma varonia que a dos Bragança, porque descende de Dom Álvaro, que dispôs dos títulos de Marquês de Ferreira, Conde de Tentúgal e Duque do Cadaval, em Portugal e na Espanha os de Marquês de Vilhescas, Conde de Gelves e Duque de Veragua, segundo a historiografia. A fusão de todas as Casas que herdara, tornou Dom Nuno Álvares Pereira de Melo um homem muito poderoso e rico. Sendo esta Casa uma das mais respeitas de Portugal e que até hoje conservam o sobrenome do Condestável do Reino acrescido ao do herói da Restauração, formando assim o nome Álvares Pereira de Melo. Mantido hoje, com Dona Diana Mariana Vitória Álvares Pereira de Melo, 11º Duquesa do Cadaval, o Palácio dos Duques do Cadaval, em Évora, onde residiram alguns Duques de Bragança e Reis de Portugal. Notável a participação de Évora e dos Duques na historia de Portugal, uma vez que no reinado de Afonso IV, a corte permaneceu lá por 14 anos e com os Reis da dinastia de Avis, Évora tornou-se a capital extra-oficial do reino. O Alentejo sempre foi grande receptora dos monarcas, que lá encontravam o berço da cultura portuguesa, mesclada aos vestígios da ocupação romana e clima típico aos gostos requintados da vida lusitana.

Por fim, diz-se que a história de Portugal não pode, de forma alguma, ser contada sem ser citado o nome do Bem-Aventurado Dom Nuno Álvares Pereira e seus feitos, pois ele faz parte da consolidação da nacionalidade portuguesa, bem como é responsável pela existência da soberania, e até mesmo pelo futuro daquele país, sendo ele Condestável do Reino, dando origem a duas Casas das mais importantes da Europa: Bragança e Cadaval. Estando, portanto Dom Nuno, fadado a pertencer eternamente na memória e história daquelas gentes portuguesas.









Por Dionatan da Silveira Cunha

Foto 1: São Nuno de Santa Maria. Arquivo digital pessoal.

Foto 2: Dom Afonso, 1º Duque de Bragança. Arquivo digital pessoal.

Foto 3: Os Duques de Bragança, foto oficial do site da Casa Real de Portugal. Arquivo digital pessoal.

Foto 4: Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, foto da Casa Imperial do Brasil. Arquivo digital pessoal.

Foto 5: O casal de Duques Diana do Cadaval e Charles (Carlos) d'Anjou, Duques d'Anjou e do Cadaval. Arquivo digital pessoal.

4 comentários :

Maria Menezes 9 de agosto de 2009 17:34  

Bom tópico! Tive o privilégio de estar presente na canonização do nosso Santo Condestável, hoje Santo Nuno de Santa Maria. Foi uma cerimónia divinal e que Santo Nuno nos guarde e ajude a combater esta república e que possamos um dia tornar a ser uma Monarquia.
Tenho no blogue da FRP toda a reportagem fotográfica com a Família Real.

Saudações Monárquicas!
VIVA A FAMÍLIA IMPERIAL DO BRASIL!
VIVA A FAMÍLIA REAL PORTUGUESA!

Jornalismo não é opção, é vocação 10 de agosto de 2009 14:58  

Olá, agradeço o seu comentário e digo que meu livro está quase pronto e com quase todos os pontos citados por você, inseridos.

Agradeço a sua disponibilidade em ajudar e já sei que se precisar de alguma ajuda, poderei contar com você.

Abraços e até mais;
Michelly Ribeiro.

Maria Menezes 10 de agosto de 2009 22:24  

Há notícias no blogue da Família Real Poruguesa e convem passar por lá.
Hoje Lisboa foi uma Monarquia durante 12 horas e ninguém deu por nada durante essas horas. A Bandeira Nacional que é conhecida por Bandeira Monárquica foi içada na Câmara Municipal de Lisboa (Prefeitura) por um grupo de Monárquicos do blogue 31 da Armada.
Foram os GRANDES CONJURADOS DO SÉC. XXI!

Saudações!

Maria Menezes 10 de agosto de 2009 22:25  

Há notícias no blogue da Família Real Poruguesa e convem passar por lá.
Hoje Lisboa foi uma Monarquia durante 12 horas e ninguém deu por nada durante essas horas. A Bandeira Nacional que é conhecida por Bandeira Monárquica foi içada na Câmara Municipal de Lisboa (Prefeitura) por um grupo de Monárquicos do blogue 31 da Armada.
Foram os GRANDES CONJURADOS DO SÉC. XXI!

Saudações!

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