quarta-feira, 4 de novembro de 2009

120 anos de República: O negro, a educação e a problemática republicana

Em texto disponível no site da Diocese de Divinópolis é possível constatar a ineficiência e a incapacidade da república no Brasil. A questão social e étnica é alvo do artigo de Alisson Ferreira.




O negro, a educação e a problemática republicana




Alisson Ferreira*


O Brasil, com uma população negra inferior apenas um da Nigéria, não conseguiu, eliminar em 120 anos de história republicana, mancham desigualdades como e que mancharam ainda como relações étnico-raciais. Isso pode ser observado quando se analisa que, até pouco tempo atrás, não tínhamos uma inclusão dos termos discriminação e racismo como categorias de estudo para explicar o fato de os negros possuírem os mais baixos índices de desenvolvimento dentro das esferas sociais.


A questão percorreu, racial e que gravitou Em todos os momentos da história democrática jovem do Brasil, sempre enfrentou os resultados negativos da latente falta de uma gestão política cidadã. As Decisões de gabinetes, historicamente, incluíam as demandas das elites oligárquicas nacionais e abafava a questão racial, assim fugindo, do conflito que se fazia presente e era cada vez mais evidente na sociedade brasileira.


Quando a República foi proclamada em 1889, um de seus pilares firmava-se em Oferecer educação a todo brasileiro e construir uma sociedade pautada nos preceitos positivistas e republicanos Igualdade de e de prosperidade. Porém, o que se viu e é visto em muitas ações governamentais é de um total de descumprimento dos Princípios de uma República Democrática onde, instituições públicas como as escolas, ainda perpetuam o preconceito ea discriminação de republicanos negros e pobres.


O que há de se questionar, no que tange uma universalização da educação, e se ela está realmente sendo levada a todos. Do ponto de vista sociológico pode-se dizer que o termo "todos" Deve ser entendido como o ato de levar uma educação um cada um e pron uma Dentro do território nacional.


Existem muitos lugares em nosso país em que o termo "todos" é entendido como um "todo particular", sem a perspectiva da ampla abertura que o plural da palavra exige. A falta deste entendimento é o resultado de muitos problemas históricos vividos pela comunidade negra em nosso país.


As tentativas de se estabelecer um discurso de "democracia racial" Supostamente onde existiria uma Igualdade de Condições Entre os Cidadãos brasileiros negros e brancos não se sustentam há muito tempo. A organização da comunidade negra e dos Organismos de defesa dos diretos humanos e de controle público vem denunciando, há anos, uma situação em que se encontram os negros brasileiros.


Mesmo com os 120 anos da República Federativa do Brasil e os muitos avanços dos aparatos jurídico-normativos que Estabelecem inclusão de todos na vida social, a educação ainda não se constituiu como um valor, uma Prioridade governamental.
O que vemos são soluções "mágicas" e programas educacionais tecnocratas pregados por Governos com políticas pautadas na visão de uma educação de resultados, muito pouco humana e acolhedora. A Escola Pública no Brasil deve cumprir o seu papel de humanizar as relações sociais, de diminuir as diferenças, incluindo em seu regaço todo um universo de pessoas, educando-as para uma vida.


É muito recente por parte de escolas e pesquisadores, uma preocupação com o tema da educação de negros brasileiros. Talvez este fato se responda pela constatação da Inexistência de fontes e trabalhos acadêmicos sobre este assunto No decorrer da história de nosso país. No Brasil a educação é Tratada de forma material e estrutural e quase nunca sob o prisma das relações humanas, da aceitação das diferenças e da Melhoria da Instrução Cidadã e multi-étnica. É evidente em nossas Instituições de Ensino a ausência de saberes voltados para a educação étnico-racial e, naturalizaram historicamente é Comprovado que nossos Governos dos mesmos uma ausência. A República do Brasil fugiu ao conflito que se instalou na Abolição da Escravatura em 1888, não quis discutir a situação das Centenas de inserção social de negros libertos e dos afro-brasileiros que povoavam o imenso Território Nacional e se preocupou muito mais os valores em resolver a serem indenizatórios pagos às oligarquias que participavam da economia escravocrata.


É no conflito que cresce e se desenvolve a vida e é dele que Brotam as perspectivas de mudanças, de quebra das imobilidades gestoriais que aprisionam e aprisionaram o convívio com as diferenças. Ou o Brasil se prepara para lidar com as diferenças ou continuaremos a fugir dos Conflitos históricos que adiaram se e se adiam desde a Constituição de nossa República.



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* Graduado em História pela Universidade de Minas Gerais - Campus de Divinópolis e Pós-Graduado em História e Cultura Afro-Brasileira e Africana pela PUC – MG.




Fonte e imagem: Diocese de Divinópolis

3 comentários :

Sidney Falcão 9 de janeiro de 2011 17:14  

Como negro, acho curioso e "risível" o texto afirmar que os 120 de répública não conseguiram resolver os problemas sociais do povo negro.

O texto, em parte, tem razão, mas esqueceu-se de lembrar que o império brasileiro foi sustentado pelo braço do povo negro escravizado. Enquanto alguns países já haviam se livrado da vergonha do trabalho escravo,o Brasil só veio tomar uma atitude definitiva quase que no "apagar das luzes" do século XIX.

Mesmo com leis como a do "Ventre Livre" e a do "Sexagenário", criadas durante o Brasil Imperial, as mesmas não resolveram o problema dos negros. A primeira lei libertava as crianças, mas os seus pais continuavam escravos, enquanto que a segunda, libertava escravos velhos e debilitados que pouco poderiam desfrutar da liberdade, isso quando conseguiam chegar aos 60 anos.

A "Lei Áurea" só veio oficializar algo que já estava acontecendo: uma debandada de escravos do cativeiro. Mais cedo ou mais tarde, devido às mudanças políticas e econômicas pelas quais o mundo passava no final do século XIX, a escravidão brasileira aconteceria. O fato do império ter ruído pouco tempo após a abolição só confirma a sua dependência do sistema escravagista.

Por tanto, se a República tem a sua culpa, o Império é tão culpado quanto. Como negro e baiano, sinto-me à vontade para afirmar isso.

Dionatan da Silveira Cunha 29 de janeiro de 2011 20:49  

Caro leitor Sr. Sidney Falcão.

Agradeço primeiramente a visita e o comentário.

Não considero risível e curioso o texto, muito menos a questão do negro. Isso tudo é muito sério, merecendo o máximo respeito de todos.

Os 120 anos de répública a que o Brasil foi obrigado a aceitar, acabou com as expectativas e planos da Princesa Dona Isabel em amparar os libertos após a Abolição da Escravatura.

Relembrando a história, a Abolição da Escravatura, um dos fatos mais marcantes da História de nosso país, ocorreu em 13 de maio de 1888. O golpe da proclamação da répública ocorreu em 15 de novembro de 1889, portanto pouco mais de um ano após a libertação dos escravos. Coincidência? Não. Os escravos não sustentaram o Império, sustentaram sim os escravocratas de todo o Brasil, que após o dia 13 de maio de 1889 endossaram o grupo de republicanos, que nunca, até então, havia conseguido grande número de apoiadores. Os planos de Dona Isabel, em pareceria com Grandes do Império, como o grande Mauá e o Senador Dantas, era assentar e prover o bem-estar destas pessoas, no entanto a répública veio e abafou todos os belos planos.

Só para que fique claro, o Imperador Dom Pedro II, a Princesa Dona Isabel e toda a Família Imperial do Brasil, nunca foram simpáticos à escravidão, isso é fato público, todos, até mesmo aqueles com pouquíssimo conhecimento, sabem. Leis similares a de 1888 já haviam sido propostas ao senado de então, que se recusou a votá-la. Dona Isabel desde sua adolescência manifestava franco apoio ao negro, tendo várias histórias a contar sobre suas visitas pelo Brasil. Era apoiadora do Quilombo do Leblon, por isso a flor símbolo do abolicionismo é a Camélia, que Dona Isabel cultivava em seu jardim. Os filhos da Princesa e do Conde d’Eu, Dom Pedro de Alcântara, Dom Luiz e Dom Antonio, editavam, no Palácio de Petrópolis, um pequeno jornal abolicionista, que distribuíam a amigos e a população local. Nos Palácios do Imperador do Brasil, desde a segunda metade do século XIX, não havia escravos.

Nem os brancos e muito menos os negros podem desdenhar, desqualificar, minimizar ou tentar injuriar a Princesa Dona Isabel, que tanto nos fez, e tanto poderia nos fazer se tivesse sido de facto a Imperatriz do Brasil.

Sr. Sidney Falcão, desafio o Sr. a me relatar o que de bom a répública trouxe para os negros e também para os brancos.

No aguardo.

O editor.

Sandro Abreu 23 de setembro de 2012 02:01  

Sou favorável pela volta da Monarquia no Brasil.

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