sábado, 14 de novembro de 2009

1921 - A Redentora morre aos 75 anos

Dona Isabel, Princesa Imperial do Brasil, Herdeira do Trono e Condessa D'Eu.

Em 14 de novembro de 1921, na França falecia a Princesa Dona Isabel.


Em seu livro, De todo Coração, a Condessa de Paris, Isabel de Orleans e Bragança, neta e homônima da Redentora descreveu o dia:


Desde a manhã o dobre soava na matriz da cidade D’Eu.


Quando alguém ali estava agonizando, era hábito associar-se à dor da família e orar pela alma do moribundo. Esta união na prece era muito confortante. Ela comovia o clero e também o conjunto dos fieis, nessa época em que a fé não era ainda diminuída pelo respeito humano.


Nesse mês de novembro de 1921, o dobre soava pela minha avó, a Condensa D’Eu.



Dona Isabel, já idosa, no Castelo D'Eu.

Alguns dias antes de sua morte, estávamos todos reunidos em torno dela no grande quarto do castelo, nessa belíssima peça de madeira pintadas e cortinas azuis-escuras que dominávamos o quarto da grande Mademoiselle, prima-irmã de Luís XIV. Todos ajoelhados numa miscelânea, crianças, pais, empregados, a orar, enquanto M. le Doyen dava os últimos sacramentos a nossa avó.

Bom Papa ia e vinha, completamente desamparado, tentando ajudar M. le Doyen; de uma feita chegou mesmo a lhe dizer que ele tinha se esquecido de ungir com os santos olhos a mãos de Vovó.

Após algum tempo as crianças se retiraram na ponta dos pés e, em seguida, cada um em seu quarto, todo o castelo D’Eu se pôs a esperar.

Uma certa tarde, o dobre calou-se subitamente. Vovó, nossa querida avó, tinha morrido...

O “Jornal do Brasil”, em 14 de novembro de 2008, descreve fatos da triste data:


Jornais da época noticiaram a morte da Redentora

O telegrama enviado de Paris pelo conde D'Eu à baronesa de Loreto, no Rio, informava que a princesa Isabel morrera aos 75 anos, com fraqueza cardíaca agravada por congestão pulmonar. A herdeira do imperador dom Pedro II ficou conhecida como a "redentora", por ter assinado a Lei Áurea, que pôs fim a três séculos de escravidão no Brasil. A princesa sabia que, ao sancionar a lei corria o risco de perder o trono, já que os republicanos planejavam um golpe apoiados pelos escravocratas. Entretanto a monarca não se intimidou, e inclusive compareceu a todas as festas pela libertação dos escravos realizadas pelo povo. As comemorações duraram 15 dias. O centro do Rio foi enfeitado com flores e a população saiu às ruas para festejar. Por ter acabado com a escravidão no Brasil, que vitimou 12 milhões de africanos, o papa João XIII ofereceu à princesa a comenda da Rosa de Ouro.

Em 1889, Isabel partiu, com a família real, para o exílio em Paris, onde montou uma embaixada informal. Entre os brasileiros que passaram por lá e receberam o apoio de Isabel estava o jovem Santos Dumont. A princesa foi a primeira chefe de Estado das Américas, tendo sido uma das nove mulheres a governar uma nação durante todo o século 19. A monarca substituiu o pai, o imperador dom Pedro II nas três vezes em que ele se ausentou por motivo de viagem. A primeira de 1871 a 1872, a segunda, de 1876 a 1877, e a última de 1877 a 1888. A princesa foi também a primeira senadora do Brasil, cargo a que tinha direito como herdeira do trono a partir dos 25 anos de idade, segundo a Constituição do Império, de 1824. Defendia a reforma agrária e o voto feminino. Antes da Lei Áurea, Isabel sancionou as leis do primeiro recenseamento do império, naturalização de estrangeiros e relações comerciais com países vizinhos.

A princesa e a abolição dos escravos


O nome de Isabel esteve ligado à abolição muito antes da assinatura da Lei Áurea. A princesa financiava a alforria de escravos com seu próprio dinheiro e apoiava a comunidade do Quilombo do Leblon, que cultivava camélias brancas, símbolo do abolicionismo. Documentos descobertos recentemente revelaram que a princesa estudou indenizar os ex-escravos com recursos do Banco Mauá. Em 28 de setembro de 1871, foi também ela quem sancionou a Lei do Ventre Livre, que estabelecia que todos os filhos de escravos, que nascessem a partir da assinatura da lei estariam livres.

----------------

Fonte: De Todo Coração, de Isabel de Orleans e Bragança, Condessa de Paris.

Fonte: JBonline

.

1 comentários :

Anônimo 27 de março de 2010 21:48  

Somente uma correção: o papa que ofertou à Princesa Isabel a "Rosa-de-Ouro" foi LEÃO XIII, e não João XIII!

ATENÇÃO


Em caso de cópia do material exposto: considerando a lei 9610/98, o plágio é crime. As obras literárias e fotográficas existentes neste espaço são de uso exclusivo do Blog Monarquia Já. Ao copiar qualquer artigo, texto, fotografia ou assemelhado, o Blog Monarquia Já deve, obrigatoriamente, ser citado.

Contador de visitas mundial


contador gratis

Contador de visitas diárias


contador gratis

  © Blogger template 'Isfahan' by Ourblogtemplates.com 2008

Back to TOP