domingo, 16 de novembro de 2014

15 de novembro: reforma ou restauração?

Por Dionatan da Silveira Cunha

A república acaba de completar 125 anos sem que ninguém consiga lembrar algum benefício trazido pelo golpe de 1889. Um século marcado por 12 Estados de sítio, 17 atos institucionais, seis dissoluções do Congresso, 19 rebeliões, duas renúncias presidenciais, três presidentes impedidos de tomar posse, quatro presidentes depostos, sete Constituições diferentes, dois longos períodos ditatoriais e nove governos autoritários. São 125 anos de corrupção, roubos, inseguranças e incertezas. Desde Deodoro da Fonseca até Dilma Rousseff uma sucessão inacabável de escândalos e desrespeito a coisa pública.

Dilma e Aécio: síntese da república 
Imagem: Globo


Consolidando esta verdade, assistiu-se em outubro a mais uma triste piada da república: as eleições 2014. Os brasileiros foram chamados às urnas para a "festa da democracia", verdadeiro apanágio a vontade da maioria (aparelhada pelo sistema terrorista que se estabeleceu), numa triste disputa entre o ruim e o pior. As prévias já demonstravam o resultado. Candidatos de péssimo nível intelectual, deficientes de formação primária, alguns comprometidos com ideologias falidas - contrárias à vontade da maioria dos brasileiros, outros (se não os mesmos) de baixeza moral e ética jamais vistas. Aqueles eram os possíveis representantes do Brasil.

As eleições foram uma disputa de partidos aliados à tradicional corrupção de Brasília e a participação de medonhos, apesar de muito pitorescos, partidos nanicos. O resultado não poderia ser outro: ganhou Dilma, perderam os Brasileiros.

Estas eleições serviram para mostrar que o mais famoso dos dispositivos da república, "a vontade da maioria", é contraditório no Brasil, pois 48,36% da população votaram em Aécio Neves e a soma de abstenção, brancos e nulos alcançou 27,7%. Numa livre tradução da vontade popular, mais de 75%, a maioria dos brasileiros, não quer Dilma Roussef no poder.  

Mesmo assim saiu vitoriosa Dilma. Aquela mesma guerrilheira, que com seus 66 anos de idade, 46 dos quais ligados à revolução, parece não perder as esperanças de ressuscitar um idealismo falido como o comunismo. Numa rápida retrospectiva, pode-se verificar que desde a juventude, autodenominada subversiva, Dilma saqueava bancos, sequestrava pessoas e aterrorizava famílias em nome de seu ideal. Participava clandestinamente de ações armadas, treinando táticas de guerrilha no exterior, onde com maestria aprendeu a usar o fuzil. Foi pressa e alegadamente torturada pelo regime militar.

Parte da ficha criminal de Dilma Rousseff divulgada em rede social
Imagem: divulgação


Fato que desagrada Sua Excelência, mas que não pode deixar de ser mencionado é que ela foi uma das mais entusiastas fundadoras do grupo de Comando da Libertação Nacional, o COLINA, que depois, com seu apoio, fundiu-se com a Vanguarda Popular Revolucionária e se tornou em VAR-P, nada menos que a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, que matou cerca de 100 mil pessoas, entre civis e militares.

Foto escondida: Dilma assalta, junto com Carlos Lamarca, em janeiro de 1969, o 4º Regimento de Infantaria, em Quitaúna, São Paulo
Imagem: JG Pimentel


Na década de 70, veio a Porto Alegre, onde, com os ideais de Marx, Stalin, Lenin e tantos outros "herois" vermelhos, formou-se em Economia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Filou-se a partidos de esquerda e foi uma das fundadoras do PT. Integrou a equipe de governo da Prefeitura de Porto Alegre, administrada a época por populistas como João Antônio Dib e Alceu Collares. Quando Collares foi eleito governador do Rio Grande do Sul, Dilma o acompanhou, tendo por este governador uma gratidão enorme, tão grande que o fez, sem nenhum motivo, Conselheiro da Hidrelétrica de Itaipu. Quando secretaria, seu autoritarismo era tão temido, quanto sua incompetência. Os sucessores de Dilma Rousseff nos cargos públicos sempre se disseram chocados com a incapacidade administrativa da mandataria.

Em 2003, Dilma integrou a equipe de governo de Lula e, a partir de 2008 passou a ser vista como possível sucessora de seu amigo.

Efetivamente, sem nenhuma grande experiência em gestão pública, sem nunca ter chegado a se candidatar para qualquer cargo no legislativo, resolveu tentar a sorte na presidência da república, pleito do qual saiu vitoriosa, em outubro de 2010. Seu governo, mantendo o nível do antecessor, foi marcado por mais de 30 escândalos de corrupção, alguns ainda não investigados.

Campanha da internet compila parte dos escândalos dos dois últimos presidentes da república
Imagem: reprodução


A campanha em 2014 usou estratégias de guerrilha ideológica. O PT, organizado como uma máfia, que com ardilosa e mesquinha maquinação, mandou e-mails e mensagens por celular para grande parte dos eleitores, ameaçando o corte nos benefícios sociais, aparelhou também os Correios para que os carteiros fizessem panfletagem gratuita para Dilma.

Eleitor de São Paulo recebe ameaças por telefone em outubro de 2014
Imagem: reprodução


Como toda a máquina pública a favor, quem venceria Dilma? 

Marina Silva mostrou toda sua insignificância política, assentada numa falsa popularidade arranjada pela imprensa. Era vice de Eduardo Campos, que falecido, acabou por ajudar Marina a crescer nas enganosas pesquisas eleitorais.

Aécio Neves, cujo vice - o Senador Aloysio Nunes, era amigo de Fidel Castro (tendo sido recebido pelo tirano repressor em 2001), demostrou que apesar de seu conjunto raso de ideias e propostas, era o mal menor para o Brasil naquela ocasião. Mesmo assim, decepcionou, sobretudo depois da disputa.

Fidel Castro ensina boas maneiras a Aécio Neves
Imagem: Globo


Após as eleições, multiplicaram-se os protestos dos que defendem o impeachment da presidente Dilma. Protestos que foram abafados por uma mídia refém dos partidos políticos no poder e que se interessam pelo degringolamento total do povo.

Milhares foram à internet denunciar a fraude no sistema eleitoral brasileiro. Urnas onde só funcionava o número 13, outras onde não eram computados os votos, ou casos em que o eleitor mesmo não tendo comparecido a sua sessão eleitoral, já havia votado, foram denunciados ao TSE e nada foi feito. Aliás, o seu presidente, José Antonio Dias Toffoli, amigo pessoal de Dilma e Lula, indicado ao cargo por eles, considerou este pleito um marco histórico para o Brasil. E ironicamente será. O Brasil e os brasileiros relembrarão deste período da história com imensa vergonha e não se custarão a arrancar as páginas dos livros que a escreverem. Por outro lado, as más práticas servem justamente para que com elas se aprenda e se possa contrapor o período de vitórias e glórias.

Mostrando mais um pouco das anedotas desta república, cabe salientar a tentativa infame do governo de valorizar a bondade de Lula e Dilma ao "criar" os benefícios sociais. A “Bolsa Família” foi o campeão deles. Dilma se vangloriou de ter "tirado da miséria mais de 36 milhões de brasileiros", e num contrassenso - este sim - histórico, salientou que sustenta mais de 55 milhões com a dita “Bolsa Família”. Que progresso é este? Vai além quando mensura que mais 1,5 milhões de famílias foram atendidas pelo programa "Minha Casa, Minha Vida", esquecendo-se que apenas 500 mil receberam de fato algum tipo de moradia pelo programa. Dilma também se esqueceu de dizer que o programa de tem cerca de 80% de inadimplência e dentro de alguns meses causará uma grave crise na economia imobiliária. O "Minha Casa, Minha Vida", também é reconhecido pela burocracia e recebeu sérias críticas de brasileiros de baixa renda que não conseguem sair do aluguel. O PT propagandeou o PROUNI que visa "garantir a graduação para todos os brasileiros". Ora, já no Império, quantos brasileiros foram financiados pelo dinheiro do bolso do próprio Imperador para estudar nas melhores universidades do mundo?

O governo federal, a despeito do que a lógica ensina, defende um sistemático enfraquecimento educacional, pedagógico e, principalmente, intelectual das universidades públicas, criando bolsas de estudos nas, não menos debilitadas universidades particulares. Criando bolsas de estudos, não se preocupa com o nível da educação no país, que conforme a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE, num ranking de 36 países, o Brasil ocupa a 35º posição. Não se pode criar escolas, universidades, sem se preocupar com a formação dos professores.

Dilma afirma que PRONATEC tem mais valor que graduação
Imagem: reprodução 


Quem pode atestar esta incongruência entre a ilusão criada pelo PT e a realidade do povo é a economista, atualmente desempregada, Elisabeth Maria Costa Timbó, de 55 anos, a quem, durante debate na Rede Globo, Dilma mandou fazer um curso do PRONATEC para que possa buscar emprego de nível técnico. Esta afirmação não deve surpreender àqueles que já conhecem o governo petista. Lula sempre disse que se orgulhava de nunca ter sentado num banco de universidade, sendo muito sincero quanto ao despreparo para exercer a função de presidente.

Campanha da internet mostra Lula "lendo" um livro de "cabeça para baixo"
Imagem: reprodução


Claramente eleitoreiro, o governo esquece que a fórmula básica para se medir a eficácia dos programas sociais é simples: mesura-se o número de pessoas que deixaram de recebê-lo, ao invés do número de pessoas que se tornam dependentes. 

Como se não bastasse, as eleições no Brasil se deram num mar de lama. Entre denúncias de corrupção numas das maiores estatais do país, construção de portos em países comunistas, criação de aeroportos em fazendas privadas e nepotismo de todos os lados. As ideias e as boas propostas ficaram desconhecidas dos brasileiros. Os debates eram ataques pessoais. Uma disputa entre partidos e pessoas. Ficou muito claro que a disputa não era pelo governo do Brasil - no melhor sentido da expressão, mas sim pelos cargos, pelo dinheiro, pelo poder.

A culpa é de Dilma, Aécio, Marina? De Lula, FHC ou Sarney? Não. Isso é a síntese da república.

Para melhorar tudo isso, alguns defendem a reforma política. Como defender uma reforma numa casa onde todos os alicerces estão corrompidos, abalados? Não se pode acreditar em qualquer reforma com os valores, com a ética e com a moral da forma como se apresenta. Que propostas de mudanças sérias virão da parte de políticos corruptos? Ou de sindicatos e associações dominadas pelo governo? Acreditar nisso é ingenuidade ou completa má vontade.

Mas a corrupção, a desonestidade, a falta de valores morais e éticos está na gênese da república. No Brasil isso é muito mais evidente, pois a república nasceu de um golpe de Estado, sem aprovação popular, nunca foi democrática, desrespeita todos os brasileiros e agora, deixa-os num estado de dependência brutal, afrontando a dignidade humana.

Como acreditar numa república que a cada quatro anos impõe/determina/convoca o eleitor para "eleger" um candidato já escolhido dentro de um grupo de interesses? O candidato para se eleger, sempre está preso a acordos partidários e com empresas e pessoas que financiaram sua campanha. Eleito, o líder do executivo ou o membro de legislativo deverá, obrigatoriamente, favorecer àqueles grupos que o elegeram e, mais do que isso, deverá prover recursos para que seu partido se sustente e avance durante seu governo. Foi o que aconteceu com FHC, com Lula e com Dilma. É uma das premissas da república. E, pior, findando o seu governo, este deverá roubar o quanto puder, para que garanta o sustento daqueles milhares de cargos de confiança, diretores, secretários, ministros, funcionários de baixo e alto escalão que usaram a estrutura pública como cabide de emprego durante aquela temporada.

Outro fator digno de nota na república, é que o presidente eleito, alegando ter de "ajeitar a casa" não apresenta resultado algum nos dois primeiros anos de governo e nos outros dois restantes, preocupa-se apenas com sua reeleição ou eleição de seu sucessor. E o que dizer do legislativo? A situação federal, que se repete nos Estados e nos municípios, exige que o governo tenha maioria de aliados no parlamento para que possa governar. Mesmo que o governo tenha a dita maioria, fica difícil analisar qualquer proposta, pois os deputados e senadores trabalham apenas 3 dias na semana.

A crise nas instituições afeta também o Judiciário, onde o executivo tem autonomia para indicar Ministros. Para se ter uma ideia, em 2016 o PT terá indicado dez dos onze ministros do Supremo Tribunal Federal. Nesta situação, qual será o resultado do julgamento dos casos de corrupção envolvendo os membros do governo? Isso é a república. O governo, em especial o PT – extremamente republicano, tenta subjugar até mesmo as Forças Armadas, outrora tão fortes e pujantes, enfraquecendo-as e a cada ano e as humilhando mais e mais.

A Monarquia é superior a tudo isso!

É contra tudo isso que os monarquistas combatem. Uma disputa injusta. Uma batalha contra organismos que lucram dinheiro, prestígio e poder com este estado de coisas. As propostas sérias e honestas da Monarquia para o Brasil estão aí e podem ser conferidas no Blog Monarquia Já e em tantas outras páginas que surgiram nos últimos anos para defender a revitalização da Pátria. É com confiança que se vê um número cada vez maior de monarquistas surgindo, sobretudo jovens, em todo o Brasil. As movimentações de Dom Bertrand de Orleans e Bragança, Príncipe Imperial do Brasil, bem como de Dom Antonio e sua família, são a certeza de que a alegria e  a emoção  com que a população os recebem, confirmam que no peito de cada brasileiro bate um coração monarquista.

Contra fatos não existem argumentos. O país não necessita de uma reforma política, tampouco estrutural. O Brasil precisa, sem perda de tempo, de uma restauração completa.                                    

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