sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Completam hoje 183 anos da morte da Imperatriz Dona Leopoldina.


Dia 11 de dezembro de 1826, há 183 anos falecia nossa primeira Imperatriz. Dona Leopoldina, a grande esposa, mãe e política, desenvolveu papel fundamental no processo de Independência do Brasil, como já contamos aqui, mas, além disto, nos deixou Dom Pedro II, nosso grande Imperador, então com 1 ano de idade, recém completando, quando de sua morte.


Gisele Marques, da Revista Radiante, narra as exéquias de Dona Leopoldina:


[...] Foi vestida de grande gala, e com ornamentos competentes, foi reposta no seu leito sobre uma riquíssima colcha da China cor de pérola, encostada em duas almofadas de seda verde e ouro. Neste camarim, forrado de seda branca e verde, com portas de veludo verde e galões de ouro, deu Sua Majestade a Imperatriz, pelo meio dia solene Beija-mão, sendo o primeiro, que cumpriu esse doloroso dever Sua Alteza Imperial, o Príncipe Imperial.


Ali o corpo foi colocado, sendo velado por dois longos dias, quando oradores oficiais revezavam-se de duas em duas horas nessa árdua tarefa. Após 18 horas de vigília, foi iniciado o beija-mão. Toda a preparação do cadáver tinha como objetivo deixar o máximo possível a presença daquele corpo morto entre seus súditos, de modo que eles pudessem venerá-lo antes da separação final. Mas não se poderia deixá-lo por muito tempo sem o cuidado devido, uma vez que a decomposição natural afastaria todos. [...]


Assim, o corpo foi sendo velado, onde as Damas de Honra da Imperatriz, os viadores, bem como a família composta pelo restante dos filhos revezavam-se nas orações. Até o dia 13 às 23 horas, o cadáver permaneceu no leito imperial. Logo depois, o corpo foi colocado dentro de um caixão de chumbo que foi fechado dentro de um outro de madeira simples, sendo exposto para receber as honras da Corte e do povo, e recebendo as orações dos diferentes religiosos que para ali se dirigiam. Somente no dia do cortejo é que o corpo foi colocado em um terceiro caixão também de madeira, mas fechado à chave e coberto de veludo preto agaloado de ouro. Era o monumento funerário feito em 1817 para colocar os restos mortais de D. Maria I, que aí ficaram até 1821, quando foram traslados juntamente com os ossos do Infante D. Carlos, seu neto, para Portugal. Depois de todos cuidados, o corpo envolto nesses caixões foi colocado sobre uma mesa na sala do Paço Imperial, cercado de 22 tocheiros de prata, coberto com rico pano de veludo preto bordado, agaloado de ouro. Aos pés dos caixões, foram respeitosamente colocados em duas almofadas o cetro e a coroa, sendo todo ambiente decorado em verde, amarelo, preto e roxo.


Ao amanhecer do dia 14 começaram as cerimônias religiosas feitas pelos cleros regular e secular, onde destacaram-se o Ofício de Defuntos, os responsos cantados e a presença das ordens religiosas que findaram a encomendação da alma. Somente às 20 horas foi dado início aos preparativos para a procissão que levaria o corpo até seu destino final. O corpo saiu do Palácio de São Cristóvão para sua última morada somente às 20h30min do dia 14 de dezembro de 1826, seguindo riquíssimo cortejo atrás. Pelas ruas por onde passava, via-se uma fila dupla de monges e eclesiásticos. Após seguir por vários bairros fluminenses de modo a dar oportunidade aos súditos de despedirem-se da Imperatriz, a procissão finalmente chegou às 23 horas ao seu destino, a Igreja do Convento da Ajuda, terminando a cerimônia somente às duas horas da madrugada.


A rica decoração da igreja incluía até mesmo magnífica tapeçaria que forrava suas paredes, tudo ocorrendo ao som de uma imponente orquestra. Nela notavam-se três pousos preparados com riqueza, o primeiro tinha um degrau e seis tocheiros, o segundo com dois degraus e dez tocheiros; e finalmente o terceiro, com três degraus e dez tocheiros. Havia outro pouso próximo ao Coro das Religiosas, e a um lado duas lanças cobertas de veludo verde, sobre as quais estavam quatro castiçais de prata. No pouso mais simples e mais baixo, situado próximo à porta, é que o corpo foi depositado. Neste momento, o clero da irmandade deu início ao ofício dos mortos, enquanto os irmãos carregavam o caixão até o segundo pedestal, mais elevado e ornamentado, onde estava o senado da Câmara do Rio de Janeiro. Após esta segunda etapa, os membros da Câmara levaram o corpo ao terceiro ponto, ainda mais rico que os precedentes.


Todo o espetáculo era aumentado com os efeitos produzidos pela música, enquanto a nobreza transportava o corpo por uma porta lateral da grade claustral, aberta para receber os restos mortais da soberana. Depositaram então uma coroa dourada e o pano mortuário no esquife. Às duas horas, findando-se o funeral, as salvas da artilharia avisaram que as portas do claustro estavam sendo fechadas.



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